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domingo, 16 de setembro de 2012

Pé na bunda

Quem nunca levou um?!? Ah, eu vários!... Estou curada de um levado no ano passado, aliás... "I get along without you very well", já diria o Hoagy Carmichael, lá pelos idos de 1939, início da Segunda Guerra Mundial...

O pé na bunda, aliás, desperta na gente o que há de mais primitivo, parafraseando o Roberto Jefferson ao se referir ao José Dirceu. Acumula-se uma represa de sentimentos, que, mais cedo ou mais tarde, se rompe e transforma a nossa vida num verdadeiro rio de lágrimas. Um dos mais, senão o mais recorrente, é o desejo de vingança, de ver o outro lado se estrepar e vir correndo chorar as pitangas no seu ombro caído, mas cheio de orgulho, para que você possa ter o prazer de colocar o dedo nas feridas, e mais ainda, ditar, daquele ponto em diante, as regras e o rumo do relacionamento...

Meu Divo, o Evandro Santo (http://www.evandrosanto.com.br), costuma dizer que "Uma das maiores loucuras de amor é acreditar que ele é para sempre". E, quando ele se acaba, "iniciam-se outras coisas: terapia, macumba, vingança, chantagem, processo"... E ele diz mais! Que "... relacionamentos acabam, amores acabam, tudo acaba e é um direito de cada um acabar o que quiser."



"Mas claro que você pode sentir ódio.
Claro que você pode chorar por dentro, por fora, você pode disfarçar, você pode neutralizar com remédios, bebidas, sexo, mas seu coração sabe o que acontece.
A ciência, a tecnologia e a religião sempre inventam meios de diminuir as dores do amor. Até conseguem.
Mas sobra a memória, as lembranças, que ficam ilustrando os seus dias, até que elas vão se apagando e você seja capaz de dizer novamente:
Eu me apaixonei de novo!!!"
Isso nem sempre acontece. Mas, enquanto há vida, e a carta do Mundo na casa das Transformações, a gente vai tentando, experimentando...
Falando em lembranças, é claro que todo pacote pé-na-bunda vem com lágrimas, chocolates e música, que é o objetivo principal deste post. Primeiro, deixa eu explicar por que: participo, no Facebook, do "Desafio Musical dos 250 dias" e o de hoje, exatamente o de número 229, pede um exemplo de música para dar pé na bunda. Pensei em tantas opções, mas acabei postando seis. E são elas que compartilho com vocês a partir de agora, em ordem inversa de preferência:

6º lugar - It's too late, by Carole King
É a primeira música do álbum "Tapestry", de 1971 e a letra foi escrita por Toni Stern. Diz mais ou menos assim, em seu refrão:
"And it's too late, baby,
(E é muito tarde, baby,)
Now it's too late,
(Agora é tarde demais.)
Though we really did try to make it.
(Embora nós tenhamos realmente tentado)
Somethin' inside has died
(Algo dentro de mim morreu)
And I can't hide and I just can't fake it 
(E eu não posso esconder nem fingir...)"

Resumindo: os dois estavam tentando levar um relacionamento já desgastado quando ela finalmente decide dar um ponto final à história. Música gostosa, daquelas pra ouvir no "Tribuna Internacional", na hora do almoço, aqui em Recife.



5º lugar - Do You Remember, by Phil Collins

Do álbum "... But Seriously", de 1990. Escrita pelo próprio Phil Collins. A música toda é linda, mas eu gosto, particularmente, deste trecho:

"There seemed no way to make up,
(Parecia que não tinha mais jeito de fazer as pazes)
'Cause it seemed your mind was set
(Porque você já tinha tomado a sua decisão)
And the way you looked it told me,
(E o modo como você me olhou me disse)
It's a look I know I'll never forget
(É um olhar que eu sei que jamais esquecerei)
You could've come over to my side,
(Você poderia ter ficado do meu lado)
You could've let me know
(Poderia ter me deixado saber)
You could've tried to see the distance between us
(E tentado ver a distância entre nós)
But it seemed to far for you to go
(Mas pra você era distante demais pra percorrer)
Do you remember?
(Você se lembra?)"

Resumo da ópera: A música é fala do término de um relacionamento da perspectiva do cara, diante da negligência da sua companheira.


4º lugar - It's over, by Level 42

Essa é de 1987, do álbum "Running The Family". Esta, ao contrário das outras, é um pedido de perdão de um cara que está indo embora por não amar mais a mulher. Não houve briga, traição, nem nada, muito pelo contrário, ele é muito grato a ela por tudo o que lhe proporcionou, mas simplesmente não pode continuar fingindo algo que não sente. Belíssima canção, belíssima melodia.

"You gave me everything
(você me deu tudo)
and now I'm breaking your heart
(E agora eu estou partindo seu coração)
you know that I don't mean
(Você sabe que eu não quero)
to tear your world apar
(Destruir o seu mundo)"




3º lugar - Separate Lives, by Phil Collins.

De 1985, esta música, gravada por Phil Collins and Marilyn Martin, faz parte da trilha sonora do filme "O Sol da Meia-Noite", estrelado pelo bailarino russo Mikhail Baryshnikov. Depois de dar um pé-na-bunda, a mocinha se arrepende e vai atrás do cara. Só que ele tem o seu orgulho, e diz que não é bem assim que a banda toca. Confira no trecho abaixo:

"You have no right to ask me how I feel
(Você não tem o direito de me perguntar como me sinto)
You have no right to speak to me so kind
(Você não tem o direito de falar comigo com tanta gentileza)
We can't go on, holding on to ties
(Não podemos continuar tão apegados)
So for now we'll going on living separate lives
(Por isso agora seguiremos nossas vidas separadas)"



2º lugar - Why, by Annie Lennox

Música linda dessa escocesa, gravada em 1992, foi trilha sonora de uma novela das seis, "Despedida de Solteiro", em que a mulher, já cheia do mala sem alça que tem em casa, despeja tudo na lata. Só a tradução da última estrofe pra vocês sentirem o drama:


"Este é o livro que nunca li

Estas são as palavras que nunca falei
Esta é a trilha que nunca seguirei
Estes são os sonhos que passarei a sonhar
Esta é a alegria que é raramente compartilhada
Estas são as lágrimasas lágrimas que derramamos
Este é o medoEste é o pavorIsto é o que há na minha cabeça
Estes são os anos que passamos junto
sE isto é o que eles representamE isso é o que eu sinto
Você sabe como me sinto?
Porque eu acho que você não sabe
Eu não acho que você sabe como eu me sinto
Eu não acho que você sabe como eu me sinto
Você não sabe como me sinto..."


Um desabafo e tanto.

1º lugar - Don't ask me why, by Eurythmics

De 1989, escrita pela Annie e pelo seu parceiro de Eurythmics, David Stewart. Esta é perfeita, e resume bem aquilo que eu disse nos parágrafos iniciais, sobre o sentimento de vingança, de desforra. Vilipendiada por um parceiro negligente, mulher sente que o relacionamento está desgastado, e que ela não o ama mais. Joga na cara dele toda a sua indignação, a sua revolta por ter sido ela a única que queria que desse certo.

"Por quê?
Você diz - por quê?
Você diz - por quê?
Não me pergunte porquê
Eu não te amo mais
Eu não acho que amei
E se você teve algum tipo de amor por mim
Você manteve tudo bem escondido..."



Acho que é isso.

Se vocês quiserem contribuir com o post, fiquem a vontade, postando as músicas de pé-na-bunda que vocês mais gostam.

- By Melonella - 





sexta-feira, 2 de março de 2012

"They call you Jezebel..."

"But I'm a shadow, I'm only a bed of blackened coal
Call myself Jezebel for wanting to leave..."
 
10000 Maniacs. Jezebel: in Our Time in Eden, 1992.
 
"Jezebel, Jezebel
Won't try to deny where she came from..."
 
Sade. Jezebel: in Promise, 1985.
 
"Then Death come knockin' on Jezebel's door and said
'Come on woman ain't you ready to go?
Of your evil deeds God's done got tired, you got to go to judgment, stand trial."
 
Recoil. Jezebel: in Liquid, 2000.
 
"They call you Jezebel
For what you like to wear
You're morally unwell
They say you'll never care for me."
 
Depeche Mode. Jezebel: in Songs Of The Universe, 2009.


Eu poderia continuar citando vários e vários trechos de músicas, cujos títulos tomam emprestado o nome da Princesa Fenícia, que foi casada com o Rei Acabe, de Israel, como resultado de uma aliança para fortalecer as relações entre os dois reinos. Segundo conta a história, a famigerada Rainha arquitetou uma verdadeira perseguição aos sacerdotes e profetas israelitas, que, para não terem suas vidas ceifadas, exilaram-se no deserto, a exemplo do profeta Elias, o seu mais ferrenho repressor.
 
Nas músicas que citei anteriormente, e em tantas outras, ela aparece tal qual o retrato pintado pela cultura popular: uma mulher sedutora, sem escrúpulos, criadora de intrigas e contendas. A psicologia moderna define essas pessoas como psicopatas, sociopatas, cínicos. Eu definiria como ladrões de consciência. Aprontam, mas conseguem inverter o quadro a seu favor, e continuam a utilizar dos seus meios torpes, mesquinhos, baratos, para iludir, enganar, ludibriar os desavisados.

Na História Antiga, Jezabel teve um fim trágico. Teve seu filho, Jorão, morto pelo profeta Jéu, e foi arremessada da janela, tendo seu sangue atingido as paredes e os cavalos. Cães que passavam na hora da confusão, devoraram seu corpo, restando apenas o seu crânio e as suas mãos. Mesmo assim, o profeta ordenou que a sepultassem como filha de reis que era, conferindo assim a Jezabel a dignidade que ela não tivera em vida.

Será esta a lei do retorno?

Será que se aplica, aos casos contemporâneos, esta tal lei do retorno?

Li no mural de uma das minhas filhas adotivas, uma mensagem que se encaixa como resposta à esta pergunta:

"Porque Deus é bom, nos deixa plantar o que quisermos. Porque Deus é justo, nós colhemos o que plantamos".

Assim seja.

Em quantas pessoas (homens e mulheres) você também identificou estas características?
 
By Melonella.
 
Now listening: Sick, by Evanescence.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Try it!

Reinaugurando o blog depois de mais de seis meses sem postar uma única linha.

Experimentar: (latim experimento, -are)
v. tr.

1. Verificar por meio de experiência.

2. Ensaiar, provar, tentar.
3. Ver se se pode conseguir.
4. Sentir, ter.
5. Receber, achar, passar por.
v. pron.
6. Adestrar-se, exercitar-se.
7. Ensaiar-se.
8. Provar as próprias forças ou faculdades.


Depois da reposição da minha aula de Dança do Ventre (Engraçado que quando se gosta de uma aula, nenhuma reposição é sacrifício, nem quando isso se dá num sábado chuvoso, depois de uma semana de viagem cansativa, e de precisar pegar dois ônibus pra poder chegar lá!), fui almoçar numa franquia de fast-food muito famosa aqui em Recife. Apanhei o cardápio das mãos da funcionária, só pra fazer o "H", mas eu já sabia o que eu ia comer, tanto que o pedido já saiu dos meus lábios automaticamente, como se eu tivesse engolido um gravador e só precisasse apertar o "play". Depois de pagar, e de apanhar a senha com o número do meu pedido, comecei a me dar conta de que nunca tinha experimentado nada diferente no cardápio com tantas opções do restaurante! Várias opções de carne, frango, peixe e camarão, com vários tipos de arroz, saladas, batatas fritas ou cozidas, legumes no vapor, feijão ou farofa, e eu planando hora pelo Medalhão, hora pelo Salmão, hora pelo Arroz de Brocólis, hora pelo Arroz à Grega, acompanhados sempre do purê e da Batata Noisette!


Quanta mesmice, não?!? Tudo isso motivado pelo medo de não gostar e aí perder o prato e o meu dinheirinho.
Algo parece familiar aí, não acha?





Não é assim com a nossa própria vida? Às vezes temos medo de experimentar determinadas coisas pelo medo de nos machucarmos. O emprego novo, num ramo totalmente diverso daquele com o qual estamos mais familiarizados, que pode nos proporcionar mais aprendizado, mais experiência, e de repente, uma melhora no orçamento. O relacionamento com pessoas de mundos diferentes, culturas diferentes. Aquela música diferente, que não ouvimos por puro preconceito, mas que pode nos render sensações impactantes. Aquela posição, ou aquela carícia que seu namorado ou namorada insiste em fazer, pra ter ou dar mais prazer, e você não topa porque gosta mesmo é do tradicional? Sexo sem compromisso, aquela bebida com nome exótico, aquela balada num sambão da periferia, que pode massagear o ego, ser gostoso e divertido, mas você é puritano demais, criado sob padrões rígidos de conduta, e só gosta de música erudita.


Voltando ao exemplo da Dança do Ventre, ontem foi a minha segunda aula. Na primeira, vi a minha professora fazer exercícios de alongamento que para mim, do alto dos meus 91 kg achava praticamente impossível fazer. Mas me permiti tentar. Na definição de "Experimentar", provei das minhas próprias forças ou faculdades. Como recompensa, meu corpo doeu menos depois de tantas sequências, passos e remelexos nos quadris. E continuo tentando. Daqui a alguns dias, ou meses, não importa, vou saber tremer o quadril direitinho, que nem a Simone Mahayla, minha professora. Enquanto esse momento não chega, vou treinando. Experimentando. Permitindo-me a novas sensações.



Now listening: I try, by Macy Gray.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Post Musical - Plantão da Globo


Pra bom entendedor...
"Things are changing
But nothing changes
And still there are changes
Le roi est mort, vive le roi!..."

domingo, 9 de janeiro de 2011

Agreste

Sempre quis escrever algo sobre a região que para mim é muito mais do que um local de trabalho. É o meu refúgio particular. É onde meus olhos se perdem pela paisagem por vezes árida, por vezes fértil. "This used to be my playground", já cantava a Madonna.

Primeiro vamos à aula de Geografia...
Segundo o Wikipédia, a mesorregião do Agreste Pernambucano é uma das cinco mesorregiões do estado brasileiro de Pernambuco, estendendo-se por uma área aproximada de 24400 km², inserida entre a Zona da Mata e o Sertão. Representa 24,7% do território pernambucano e conta com uma população de cerca de 1,8 milhões de habitantes (25% da população do Estado). O clima é predominantemente semi-árido, embora apresente áreas mais úmidas.

Igualzinho a mim. Os dias são ensolarados na maior parte do tempo, mas quando desaba a tempestade...

Esta foto foi tirada por Anderson Carvalho. Traz um belíssimo por-do-sol e as torres de telefonia sobre o Morro do Bom Jesus, em Caruaru.
Now listening: "This Used To Be My Playground" by Madonna. 


sábado, 8 de janeiro de 2011

Escolhas...

Já era cedo quando eu secava e domava as minhas madeixas rebeldes no salão. O rádio estava sintonizado numa emissora evangélica, cujo som era abafado pelo barulho do secador. Absorta em minha própria impaciência em ver acabar todo aquele martírio, ouvi uma frase, que foi exaustivamente repetida pelo locutor enquanto pregava o evangelho: "O homem faz suas escolhas e as escolhas fazem o homem".

A frase foi forjada na minha cabeça como o ferro é forjado através do calor e de golpes constantes do martelo contra uma bigorna. Sim, é verdade. O homem faz suas escolhas. Você, meu nobre leitor fez as suas escolhas, e não falo sobre a escolha entre tomar um sorvete de kiwi ou de jiló (e fatalmente recaio sobre isso). Sem dúvida você escolheu sacrificar seu sábado para estudar um pouco mais aquela matéria em que você ficou em recuperação, ou para cuidar de um ente querido. Ou escolheu passar o final de semana em Porto de Galinhas e atrasou aquele trabalho importante pra ser entregue numa segunda-feira. Pagou o ônus e recebeu os bônus por cada direcionamento dado à própria vida.
Escolhi a estabilidade e segurança da minha família, desta vez.  Escolhi não cometer o mesmo erro duas vezes. Se as escolhas me farão no futuro, só tempo é quem dirá.

"Maybe we'll be again, somewhere, again...", já dizia uma balada de amor antiga.

Now listening: Carrie, by Europe. "Things may change, my friend..."

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Formoso Cisne

Loreenna Mckennitt, cantora e instrumentista canadense, é conhecida pelos seus discos conceituais e pela sua intimidade com a cultura celta.

O álbum "The Mask and The Mirror", de 1994, é um bom exemplo disso. Ela conta, em suas belíssimas melodias, várias histórias que se fundem em seus conceitos, levando quem está ouvindo a uma viagem mágica pela história e cultura de povos antigos, além das fábulas que também lhe servem de inspiração.

Uma das músicas do álbum, "The Bonny Swans", conta a lenda de um fazendeiro que tinha três filhas. A mais nova era enamorada de um belo rapaz e era hostilizada por sua irmã mais velha por ter seu amor correspondido. Enquanto caminhavam pela margem de um lago, a mais nova foi empurrada pela mais velha, vindo a afogar-se e se transformar em um cisne.

O cisne é resgatado por uma das irmãs, e quando chega a margem do lago transforma-se em uma harpa, cujas cordas foram feitas pelos cabelos da irmã mais nova. A linda harpa é levada à sala da casa do fazendeiro, e, como por encantamento passa a entoar sozinha as canções, denunciando a irmã mais velha por seu crime.

Nada realmente fica encoberto por muito tempo...

Segue a letra:


"A farmer there lived in the north country
A hey ho bonny o
And he had daughters one, two, three
The swans swim so bonny o
These daughters they walked by the river's brim
A hey ho bonny o
The eldest pushed the youngest in
The swans swim so bonny o

Oh sister, oh sister, pray lend me your hand
With a hey ho a bonny o
And I will give you house and land
The swans swim so bonny o
I'll give you neither hand nor glove
With a hey ho a bonny o
Unless you give me your own true love
The swans swim so bonny o

Sometimes she sank, sometimes she swam
With a hey ho and a bonny o
Until she came to a miller's dam
The swans swim so bonny o
The miller's daughter, dressed in red
With a hey ho and a bonny o
She went for some water to make some bread
The swans swim so bonny o

Oh father, oh daddy, here swims a swan
With a hey ho and a bonny o
It's very like a gentle woman
The swans swim so bonny o
They placed her on the bank to dry
With a hey ho and a bonny o
There came a harper passing by
The swans swim so bonny o

He made harp pins of her fingers fair
With a hey ho and a bonny o
He made harp strings of her golden hair
The swans swim so bonny o
He made a harp of her breast bone
With a hey ho and a bonny o
And straight it began to play alone
The swans swim so bonny o

He brought it to her father's hall
With a hey ho and a bonny o
And there was the court, assembled all
The swans swim so bonny o
He laid the harp upon a stone
With a hey ho and a bonny o
And straight it began to play lone
The swans swim so bonny o

And there does sit my father the King
With a hey ho and a bonny o
And yonder sits my mother the Queen
The swans swim so bonny o
And there does sit my brother Hugh
With a hey ho and a bonny o
And by him William, sweet and true
The swans swim so bonny o
And there does sit my false sister, Anne
With a hey ho and a bonny o
Who drowned me for the sake of a man
The swans swim so bonny o"
E o belíssimo vídeo da música, claaaaro!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Previsões 2011 (?)

“Então é Natal, e o que você fez?”

Faltam apenas sete dias para o fim de 2010. Quem fez, fez. Para quem não fez, resta apenas o consolo de que “o ano termina, e começa outra vez”, e que vamos ter mais 365 dias para fazer tudo aquilo que prometemos para 2010 e não cumprimos. Parar de fumar, de beber, emagrecer, casar, ter filhos, tantas são as promessas, tantos são os anseios que começam a borbulhar em nossos corações, como o champanhe nas taças durante os brindes e os votos de Feliz Natal ou de Feliz Ano Novo! Esse é o moto-contínuo que a vida inventou, fôlego novo aos nossos pulmões, “Breathe of Life”, como na música do Erasure!

E as promessas do ano vindouro andam de mãos dadas com as mais diversas previsões astrológicas. Para todos os signos, sorte no amor, início do ano meio apertado financeiramente, mas estabilizado no segundo semestre e as recomendações de cuidar um pouco mais da saúde, praticar mais exercícios... Para a blogueira que vos escreve, por exemplo, nativa de gêmeos (com ascendente em leão e lua em áries!), 2011 traz “boas possibilidades de desenvolvimento em qualquer âmbito, pois as influencias planetárias me permite colher os frutos de meus esforços anteriores; ainda assim terei de analisar minuciosamente os próximos passos, pois muitas mudanças acontecerão no decorrer do ano”. No amor, promessas de um ano movimentado, cheio de atrações e paixões, com possibilidade de relacionamentos sérios, e até de um casamento (logo pra mim, hein?)! Se eu “contiver os gastos desnecessários, posso contar com um ano muito estável tanto economicamente como profissionalmente”, e “os exercícios e as atividades recreativas me manterão em equilíbrio tanto física como mentalmente”.

Sinceramente, há algo diferente do que eu, ou algum de vocês, meus nobres cinco seguidores e seis leitores, tenhamos lido nos últimos anos, ou nas últimas previsões astrológicas (para quem acredita, é claro!)? Creio que não.

Não há receita certa, não há previsão certa diante de milhões de possibilidades. Imaginem todos os geminianos do mundo vestidos de azul só porque a conjuntura de Urano e Netuno alinhados com Vênus e Plutão na casa 7 favorece o aspecto astrológico dos nascidos entre 21/05 e 20/06? Então, queridos, o que vale mesmo a pena é ter ouvidos aguçados para ouvir os sinais de perigo que a nossa intuição nos enviar e deixar o coração cuidar do resto. Viver muito, amar muito, errar muito, chorar, rir, porque, no final das contas, no final de tudo, quando estivermos prestando contas das nossas ações depois de uma vida cheia de aventuras e desventuras, as experiências positivas e o amor dos nossos entes queridos é o que realmente vai importar!

"Vamo nessa", porque no ano que vem tem mais!

Now listening: No One, by Alicia Keys. É pra você sim, “Buterfly Enchanteur”, minha constante fonte de inspiração.

- By Melonella -

domingo, 14 de novembro de 2010

Efemérides

Começo o post de hoje com uma pergunta aos meus nobres seis leitores: Algum de vocês já se viu com medo de desfrutar de algo bom com medo de que isso venha a acabar no futuro, e você sofrer? Trocando em moedas de cinquenta centavos, já se viram com apenas R$ 0,60 pra tomar uma Coquinha, e ficaram com medo de comprar, porque em três goles todo o conteúdo da garrafa vai acabar e você tem medo de ficar com sede depois? (Ok, eu sei, não foi lá muito profundo...)

Acabei de me pegar pensando nisso, e, olhando pra trás, não tive dedos para contar as oportunidades que perdi de aproveitar melhor a minha existência, justamente por medo de arriscar perder o chão aparentemente firme onde eu estava pisando. Talvez pelo fato de que, naquela época, nada na minha vida era efetivamente seguro. Eu poderia ter curtido mais os meus relacionamentos, por exemplo, e não me preocupar tanto com o sofrimento que o fim deles me trariam - e acabaram por me trazer, a despeito da minha decisão de não vivê-los plenamente!

Ah, a efemeridade da vida!... Ghandi dizia que "Toda noite, quando vou dormir, morro. E, na manhã seguinte, quando acordo, renasço." Odeio clichês, mas, por que não aproveitar cada dia das nossas vidas como se fosse o último, com todas as oportunidades que se desvendam aos nossos olhos? Por que não sair da escuridão da caverna e ir de encontro à luz?

Bem cantou o Odair José em "A Noite Mais Linda do Mundo":

"Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo
Vamos viver nessa noite
A vida inteira num segundo
Felicidade
Não existe
O que existe na vida
São momentos felizes


A gente pode ser feliz
Viver a vida sem sofrer
É não pensar no que vai ser, Oh!
Não me pergunte se amanhã
O nosso amor vai existir
Não me pergunte
Pois não sei."


Façamos, vamos amar...


Now listening: A Piece of My Mind, by EBTG.

domingo, 7 de novembro de 2010

The Badman's Song




A primeira cena se passa num restaurante em um clube, onde a personagem de Sandra Bullock, Leigh Ann, conversa com amigas:


"Amiga 1: Problemas com a estátua?

Amiga 2: A melhor parte de Paris foi a comida. Eles usam todo tipo de molho. Eu tive que malhar no dia em que cheguei!


Leigh Ann: Vocês costumam ir ao outro lado da cidade?


Amiga 1: De que lado você está falando?


Leigh Ann: Rua Alabama, Vila Dor.


Amiga 1: Vila Dor? Parece uma ameaça.


Leigh Ann: É, por aí.


Amiga 1: Eu vou ter dor se for lá.


Amiga 3: Isso vai doer na sua reputação.


Amiga 2: Ora, eu sou de lá, mas trabalhei duro, vejam só onde estou agora. (ergue a taça, simulando um brinde)


Leigh Ann: Comendo uma salada de US$18,00?


Amiga 2: Que está insossa para ser sincera!


Amiga 3: Por que o interesse nos conjuntos populares, é outra de suas beneficências (simula aspas com a mão direita)?


Amiga 2: Conjuntos em conjunto? Já pegou! A grana vai entrar sozinha! Tudo bem, conte comigo Leigh Ann! Peguem o talão de cheques!


(As amigas caem na risada. Leigh Ann suspira, desanimada).

***
A segunda cena se passa no mesmo restaurante. As amigas comentam o cartão de natal da família Tuhoys, em que Michael também aparece:

Amiga 3: Você ficou minúscula perto dele, tipo Jéssica Lange e King Kong! Que coisa mais doida.


Amiga 1: Michael tem desconto familiar no TacoBell? Porque se tiver, Sean vai ficar no prejuízo.


Leigh Ann: Ele é um bom menino.


Amiga 3: Então torne tudo oficial e o adote!(Risos)


Leigh Ann: Ele vai fazer 18 anos em poucos meses, não faz sentido adotá-lo.


(Longo silêncio e perplexidade entre as amigas)


Amiga 1: Leigh Ann, isso é algum tipo de culpa por ser branca?


Amiga 3: O que seu pai acha?


Leigh Ann: Antes ou depois de ele se revirar no túmulo? Meu pai morreu há cinco anos, Elaine! E pra piorar, você foi ao enterro, não tá lembrando não, com um vestido Channel e um chapéu preto horrível (A amiga arregala os olhos). É o seguinte: eu não preciso que vocês aprovem minhas escolhas, ta? Mas eu vou pedir que as respeitem. Vocês não fazem idéia do que o garoto passou, e se isso vai virar algum tipo de crítica, eu posso achar uma salada que não valha o preço mais perto da minha casa.


Amiga 1: Leigh Ann não tivemos a intenção...


Amiga 3: Não, não tivemos mesmo...


Amiga 2: Eu acho incrível o que você está fazendo. Abrir a porta da sua casa pra ele... Amor, você mudou a vida do rapaz!


Leigh Ann: Não... ele mudou a minha vida.


Amiga 3: Eu sei que é ótimo pra você, mas, e a Collins?


Leigh Ann: O que tem a Collins?


Amiga 3: Você não se preocupa, nem mesmo um pouco? Ele é um rapaz grande, e negro, dormindo sob o mesmo teto...


Leigh Ann (balançando a cabeça desaprovando o comentário): Que vergonha!... – levanta-se apanhando a conta – Eu pago."

* * *

Estou há horas buscando uma maneira de introduzir este post. Estava em busca, na verdade, de algo que não fizesse vocês, meus nobres seis leitores, desistirem dele e do blog logo no início. Daí me lembrei de uma música do Tears For Fears, chamada Badman's Song, do álbum mais intimista da dupla, o Sowing The Seads of Love. Esta música foi escrita por Roland Orzabal, logo após ouvir, sem querer, uma conversa "afiada" sobre ele, que rolava no quarto ao lado do seu, entre os músicos que os acompanhavam numa turnê da banda. Há um trecho em particular, que diz: "Food for the Saints that are quick to judge me". E é sobre ele que eu quero falar, especificamente, pra chegar onde eu quero.

As pessoas, e nisto também me incluo, são rápidas em esquecer de onde vem. Logo, não sabem para onde vão. Acho isto a premissa necessária para se saber onde se quer chegar, e principalmente! Saber de onde se vem ajuda a conservar a própria essência quando a vida nos dá benesses em excesso, seja por sorte ou merecimento mesmo. E mais ainda! Ajuda a conservar a própria essência quando esta mesma vida, num golpe de vista, tira de nós as benesses, por má sorte, ou por merecimento mesmo.

"Food for the Saints that are quick to judge me..."

Talvez seja pelo meu esforço de conservar a minha essência; talvez por lembrar constantemente de onde eu vim, e saber exatamente para onde eu quero ir, imprimindo movimento à minha vida, é que eu incomode tanto! Ou que as pessoas ao meu redor se envergonhem da minha espontaneidade - quando eu mesma não estou nem aí pra isso, aliás!

Este final de semana conheci uma figuraça, que me serviu de inspiração para este post. É provável que neste momento, em que eu estou aqui, em frente ao notebook no conforto do meu quarto depois de comer bem no jantar, ele esteja juntando suas moedinhas num chapéu velho, de veludo preto, sentado numa velha cadeira de rodas que lhe ajuda a se locomover, já que não tem ambas as pernas, em frente ao Guaiamum Gigante, restaurante badalado de Recife. A situação em que nos conhecemos me lembrou duas cenas em particular do filme "Um Sonho Possível", que rendeu a Sandra Bullock o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz de 2010. No filme, Leigh Anne, o personagem dela, adota Michael Oher, um jovem negro morador de rua, vindo de um lar destruído. Com a ajuda dela, Oher aprende a superar diversos desafios à sua frente, e, em contrapartida, muda a vida de todos a sua volta.

Minha fonte de inspiração deste final de semana, se revelou, em poucos minutos de conversa, uma pessoa culta, de papo agradável, ao contrário do que muitos que o vissem podiam pensar - um bêbado desagradável e inconveniente. Se disse parecido com o Dustin Hoffmann - e observando direitinho, o ator americano se parece mesmo com ele. Sabe-se lá em que circunstâncias teve suas pernas amputadas e foi parar ali, a mendigar a bondade das pessoas.

Ah, meu amigo Dustin! Considero você um herói. Pedir não é mesmo algo fácil de se fazer. Já pedi muito, e chorei quando "não" foi a palavra que ouvi do lado de lá. Você ainda conserva a capacidade de sorrir, apesar de tudo.

Pode crer, meu amigo, que você fez muito mais por mim do que as moedinhas que saíram da minha carteira e foram parar no seu chapéu velho fizeram por você.

Now listening: The Badman's Song, by Tears For Fears. "Hope for a Badman, This is the Badman's Song"...

- By Melonella -

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Post Musical Diferente




Diferentemente dos últimos posts musicais, em que escolho letras que, de certa forma, refletem meu estado de espírito, ou merecem ser eternizadas para lembrar determinadas situações, hoje eu vou falar um pouco da minha relação com as melodias e com as bandas / cantores. Ao contrário do que possam pensar, meus digníssimos cinco seguidores, não, eu não toco nada! Acho que não consigo extrair um som decente e audível nem se bater dois gravetos numa lata de leite em pó, portanto, lamento desapontá-los, se esperavam que eu dissesse que toco harpa, cielo, balalaika, cítara ou algum outro instrumento musical exótico.

A minha relação com a música começou muito cedo. E já muito cedo eu demonstrava, sem modéstia alguma (e desde quando esta palavra fez parte do meu vocabulário?), um gosto mais apurado. Mamãe conta que, aos dois anos, eu me punha praticamente em transe ao ouvir Ebony and Ivory, com Paul McCartney e Stevie Wonder, e dançava ao som de Beat It, by Michael Jackson. Depois disto, confesso que passei por uma lavagem cerebral, quando seres menos evoluídos me levaram a bordo de uma nave espacial e eu passei a ouvir Xuxa.

Os anos se passaram, e comecei a refinar um pouco (muito) o paladar musical. Fiquei mais exigente. As letras passaram a ter sentido e a significar muito para mim, além da melodia. Eu passei a buscar, e até hoje isso é um parâmetro na hora de decidir virar fã ou não, uma identificação com algo, um detalhe peculiar, às vezes imperceptível a um ouvinte eventual, ou menos preocupado com estas questões. Assim, bandas como Depeche Mode, The Cranberries, Cocteau Twins, The Smiths, Tears For Fears, Rush, artistas como Loreena Mckennitt, Mike Oldfield, Dido, Suzanne Vega, passaram a povoar meus CD players. Aprendi história, geografia, inglês e filosofia, ouvindo estes monstros sagrados.  Exemplos? Em "Everything Counts", do excelente Construction Time Again, Martin Gore, meu marido imaginário, versa sobre o capitalismo selvagem e a gana da sociedade e dos poderosos em consumir e acumular para si cada vez mais riquezas, sob a pena da opressão dos mais fracos (ainda tão atual, não?). Ainda do Mode, no mesmo álbum, "Two Minute Warning" fala da iminência de uma guerra nuclear no auge da Guerra Fria, conflito político-ideológico encabeçado por Estados Unidos e União Soviética (qualquer semelhança com o perigo do enriquecimento de Urânio desenfreado no Irã é mera coincidência. Tudo para fins pacíficos. Sei...). Em Yeat's Grave, o Cranberries conta a história do maior poeta irlandês, William Butler Yeats, e cita estes versos no meio da música:

"Why should I blame her,
that she filled my days with misery or that she would of late
Have taught to ignorant men violent ways or
hurled the little streets upon the great
Had they but courage equal to desire?"

Poderia passar horas a fio, citando exemplos, letras, detalhando a magia dos acordes, a perfeição das notas, mas corro o risco de desmerecê-los com minha pieguice.

Todos eles têm um quê de depressão. Mas a vida, a própria vida, já não carrega uma carga depressiva no seu próprio desenrolar?

Now Listening: Girl Afraid, by The Smiths. "She said he never really looks at me..." At me too, girl. At me too.
 
P.S.: Post escrito numa madrugada insone, em Caruaru.
 
By Melonella.