Mostrando postagens com marcador Music Non Stop. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Music Non Stop. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de setembro de 2012

Pé na bunda

Quem nunca levou um?!? Ah, eu vários!... Estou curada de um levado no ano passado, aliás... "I get along without you very well", já diria o Hoagy Carmichael, lá pelos idos de 1939, início da Segunda Guerra Mundial...

O pé na bunda, aliás, desperta na gente o que há de mais primitivo, parafraseando o Roberto Jefferson ao se referir ao José Dirceu. Acumula-se uma represa de sentimentos, que, mais cedo ou mais tarde, se rompe e transforma a nossa vida num verdadeiro rio de lágrimas. Um dos mais, senão o mais recorrente, é o desejo de vingança, de ver o outro lado se estrepar e vir correndo chorar as pitangas no seu ombro caído, mas cheio de orgulho, para que você possa ter o prazer de colocar o dedo nas feridas, e mais ainda, ditar, daquele ponto em diante, as regras e o rumo do relacionamento...

Meu Divo, o Evandro Santo (http://www.evandrosanto.com.br), costuma dizer que "Uma das maiores loucuras de amor é acreditar que ele é para sempre". E, quando ele se acaba, "iniciam-se outras coisas: terapia, macumba, vingança, chantagem, processo"... E ele diz mais! Que "... relacionamentos acabam, amores acabam, tudo acaba e é um direito de cada um acabar o que quiser."



"Mas claro que você pode sentir ódio.
Claro que você pode chorar por dentro, por fora, você pode disfarçar, você pode neutralizar com remédios, bebidas, sexo, mas seu coração sabe o que acontece.
A ciência, a tecnologia e a religião sempre inventam meios de diminuir as dores do amor. Até conseguem.
Mas sobra a memória, as lembranças, que ficam ilustrando os seus dias, até que elas vão se apagando e você seja capaz de dizer novamente:
Eu me apaixonei de novo!!!"
Isso nem sempre acontece. Mas, enquanto há vida, e a carta do Mundo na casa das Transformações, a gente vai tentando, experimentando...
Falando em lembranças, é claro que todo pacote pé-na-bunda vem com lágrimas, chocolates e música, que é o objetivo principal deste post. Primeiro, deixa eu explicar por que: participo, no Facebook, do "Desafio Musical dos 250 dias" e o de hoje, exatamente o de número 229, pede um exemplo de música para dar pé na bunda. Pensei em tantas opções, mas acabei postando seis. E são elas que compartilho com vocês a partir de agora, em ordem inversa de preferência:

6º lugar - It's too late, by Carole King
É a primeira música do álbum "Tapestry", de 1971 e a letra foi escrita por Toni Stern. Diz mais ou menos assim, em seu refrão:
"And it's too late, baby,
(E é muito tarde, baby,)
Now it's too late,
(Agora é tarde demais.)
Though we really did try to make it.
(Embora nós tenhamos realmente tentado)
Somethin' inside has died
(Algo dentro de mim morreu)
And I can't hide and I just can't fake it 
(E eu não posso esconder nem fingir...)"

Resumindo: os dois estavam tentando levar um relacionamento já desgastado quando ela finalmente decide dar um ponto final à história. Música gostosa, daquelas pra ouvir no "Tribuna Internacional", na hora do almoço, aqui em Recife.



5º lugar - Do You Remember, by Phil Collins

Do álbum "... But Seriously", de 1990. Escrita pelo próprio Phil Collins. A música toda é linda, mas eu gosto, particularmente, deste trecho:

"There seemed no way to make up,
(Parecia que não tinha mais jeito de fazer as pazes)
'Cause it seemed your mind was set
(Porque você já tinha tomado a sua decisão)
And the way you looked it told me,
(E o modo como você me olhou me disse)
It's a look I know I'll never forget
(É um olhar que eu sei que jamais esquecerei)
You could've come over to my side,
(Você poderia ter ficado do meu lado)
You could've let me know
(Poderia ter me deixado saber)
You could've tried to see the distance between us
(E tentado ver a distância entre nós)
But it seemed to far for you to go
(Mas pra você era distante demais pra percorrer)
Do you remember?
(Você se lembra?)"

Resumo da ópera: A música é fala do término de um relacionamento da perspectiva do cara, diante da negligência da sua companheira.


4º lugar - It's over, by Level 42

Essa é de 1987, do álbum "Running The Family". Esta, ao contrário das outras, é um pedido de perdão de um cara que está indo embora por não amar mais a mulher. Não houve briga, traição, nem nada, muito pelo contrário, ele é muito grato a ela por tudo o que lhe proporcionou, mas simplesmente não pode continuar fingindo algo que não sente. Belíssima canção, belíssima melodia.

"You gave me everything
(você me deu tudo)
and now I'm breaking your heart
(E agora eu estou partindo seu coração)
you know that I don't mean
(Você sabe que eu não quero)
to tear your world apar
(Destruir o seu mundo)"




3º lugar - Separate Lives, by Phil Collins.

De 1985, esta música, gravada por Phil Collins and Marilyn Martin, faz parte da trilha sonora do filme "O Sol da Meia-Noite", estrelado pelo bailarino russo Mikhail Baryshnikov. Depois de dar um pé-na-bunda, a mocinha se arrepende e vai atrás do cara. Só que ele tem o seu orgulho, e diz que não é bem assim que a banda toca. Confira no trecho abaixo:

"You have no right to ask me how I feel
(Você não tem o direito de me perguntar como me sinto)
You have no right to speak to me so kind
(Você não tem o direito de falar comigo com tanta gentileza)
We can't go on, holding on to ties
(Não podemos continuar tão apegados)
So for now we'll going on living separate lives
(Por isso agora seguiremos nossas vidas separadas)"



2º lugar - Why, by Annie Lennox

Música linda dessa escocesa, gravada em 1992, foi trilha sonora de uma novela das seis, "Despedida de Solteiro", em que a mulher, já cheia do mala sem alça que tem em casa, despeja tudo na lata. Só a tradução da última estrofe pra vocês sentirem o drama:


"Este é o livro que nunca li

Estas são as palavras que nunca falei
Esta é a trilha que nunca seguirei
Estes são os sonhos que passarei a sonhar
Esta é a alegria que é raramente compartilhada
Estas são as lágrimasas lágrimas que derramamos
Este é o medoEste é o pavorIsto é o que há na minha cabeça
Estes são os anos que passamos junto
sE isto é o que eles representamE isso é o que eu sinto
Você sabe como me sinto?
Porque eu acho que você não sabe
Eu não acho que você sabe como eu me sinto
Eu não acho que você sabe como eu me sinto
Você não sabe como me sinto..."


Um desabafo e tanto.

1º lugar - Don't ask me why, by Eurythmics

De 1989, escrita pela Annie e pelo seu parceiro de Eurythmics, David Stewart. Esta é perfeita, e resume bem aquilo que eu disse nos parágrafos iniciais, sobre o sentimento de vingança, de desforra. Vilipendiada por um parceiro negligente, mulher sente que o relacionamento está desgastado, e que ela não o ama mais. Joga na cara dele toda a sua indignação, a sua revolta por ter sido ela a única que queria que desse certo.

"Por quê?
Você diz - por quê?
Você diz - por quê?
Não me pergunte porquê
Eu não te amo mais
Eu não acho que amei
E se você teve algum tipo de amor por mim
Você manteve tudo bem escondido..."



Acho que é isso.

Se vocês quiserem contribuir com o post, fiquem a vontade, postando as músicas de pé-na-bunda que vocês mais gostam.

- By Melonella - 





domingo, 12 de junho de 2011

Post Musical - Em ritmo de São João!



Posto esta música em resposta à vida e ao tempo. Que ele se encarregue de sepultar as lembranças, mesmo as boas.



Tareco e Mariola
Composição : Petrúcio Amorim


Eu não preciso de você,
o mundo é grande o destino me espera,
não é você que vai me dar na primavera
as flores lindas que sonhei no meu verão.

Eu não preciso de você,
já fiz de tudo pra mudar meu endereço,
já revirei a minha vida pelo avesso,
juro por Deus, não encontrei voce mais não.

Cartas na mesa,
bom jogador conhece o jogo pela regra,
não sabes tu que já tirei leite de pedra,
só pra te ver sorrir pra mim não chorar.

Você foi longe,
me machucando provocou a minha ira,
só que eu nasci entre o velame e a macambira,
quem é você pra derramar meu munguzá

Eu me criei
ouvindo o golpe do martelo na poeira,
ninguém melhor que mestre Osvaldo na madeira,
com sua arte criou muito mais de dez.

Eu me criei
matando a fome com tareco e mariola,
fazendo versos dedilhados na viola
por entre os becos do meu velho Vassoural

domingo, 27 de março de 2011

Post Musical - "Já não tenho dedos pra contar..."

It's My Life
Talk Talk

It's funny how I find myself
In love with you
If I could buy my reasoning
I'd pay to lose
One half won't do
I've asked myself how much do you
Commit yourself
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends
Funny how I blind myself
I never knew
If I was sometimes played upon
Afraid to lose
I would tell myself what good you do
Convince myself
It's my life
Don't you forget
It's my life
It never ends
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
It never ends
It's my life
Don't you forget
Caught in the crowd
It never ends


terça-feira, 15 de março de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mais um Post Musical

Espero que, assim como o rio só corre pro mar, possamos correr de encontro ao nosso destino, contornando os diversos obstáculos, até alcançar a plenitude.

Sim, meus queridos seis leitores, estou MUITO otimista hoje!

Find The River
R.E.M

Hey now, little speedyhead,
the read on the speedmeter says
you have to go to task in the city
where people drown and people serve.
Don't be shy. Your just deserve
is only just light years to go.

Me, my thoughts are flower strewn
ocean storm, bayberry moon.
I have got to leave to find my way.
Watch the road and memorize
this life that pass before my eyes.
Nothing is going my way.
 
The ocean is the river's goal,
a need to leave the water knows
We're closer now than light years to go.
 
I have got to find the river,
bergamot and vetiver
run through my head and fall away.
Leave the road and memorize
this life that pass before my eyes.
Nothing is going my way.
 
There's no one left to take the lead,
but I tell you and you can see
we're closer now than light years to go.
Pick up here and chase the ride.
The river empties to the tide.
Fall into the ocean.
The river to the ocean goes,
a fortune for the undertow.
None of this is going my way.
 
There is nothing left to throw
of Ginger, lemon, indigo,
coriander stem and rose of hay.
Strength and courage overrides
the privileged and weary eyes
of river poet search naivete.
Pick up here and chase the ride.
The river empties to the tide.
All of this is coming your way.

- By Melonella -

sábado, 8 de janeiro de 2011

Post Musical

 
There's a Place For Us
Phil Collins
 
'...There's a place for us, somewhere a time and a place.'

So here we are together
just you and me
sitting side by side
don't know why
with time just racing by
but I don't want to go


Well I don't know much about it
'cos all I am is what you see
in front of you
there's no more
feels so close and yet so far
but I don't want to go
Here I am, take my hand
here I am, please take my hand


I'd like to sit here with you if that's alright
if you don't mind I could sit and stare all night
sit here waiting for you to hold me tight
It's sad but I know it's true
you see I know you well
you'd only laugh at me
and that would hurt me so
just look at me here
you've got me pleading with you
but i don't want to go
'Cos you know that I love you so
yes you know that I love you so


Here. I will be here love
for you love, I will always be here love


If you look real close
you'll see my heart is on my sleeve
and it'll be here waiting
waiting for you, waiting for me
someone once said that if you truly, truly believe
you can make things happen
make things appear to be all that they seem
tell me do you believe?


We'll find a hideaway
together we'll find a way
somewhere, somehow, we'll find some way
there must be somewhere
there must be someplace
we can find somewhere
where they don't know my face
believe me we can find it
yes we can find it
somewhere, there's a place for us
somewhere, a time and a place for us
somewhere

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Formoso Cisne

Loreenna Mckennitt, cantora e instrumentista canadense, é conhecida pelos seus discos conceituais e pela sua intimidade com a cultura celta.

O álbum "The Mask and The Mirror", de 1994, é um bom exemplo disso. Ela conta, em suas belíssimas melodias, várias histórias que se fundem em seus conceitos, levando quem está ouvindo a uma viagem mágica pela história e cultura de povos antigos, além das fábulas que também lhe servem de inspiração.

Uma das músicas do álbum, "The Bonny Swans", conta a lenda de um fazendeiro que tinha três filhas. A mais nova era enamorada de um belo rapaz e era hostilizada por sua irmã mais velha por ter seu amor correspondido. Enquanto caminhavam pela margem de um lago, a mais nova foi empurrada pela mais velha, vindo a afogar-se e se transformar em um cisne.

O cisne é resgatado por uma das irmãs, e quando chega a margem do lago transforma-se em uma harpa, cujas cordas foram feitas pelos cabelos da irmã mais nova. A linda harpa é levada à sala da casa do fazendeiro, e, como por encantamento passa a entoar sozinha as canções, denunciando a irmã mais velha por seu crime.

Nada realmente fica encoberto por muito tempo...

Segue a letra:


"A farmer there lived in the north country
A hey ho bonny o
And he had daughters one, two, three
The swans swim so bonny o
These daughters they walked by the river's brim
A hey ho bonny o
The eldest pushed the youngest in
The swans swim so bonny o

Oh sister, oh sister, pray lend me your hand
With a hey ho a bonny o
And I will give you house and land
The swans swim so bonny o
I'll give you neither hand nor glove
With a hey ho a bonny o
Unless you give me your own true love
The swans swim so bonny o

Sometimes she sank, sometimes she swam
With a hey ho and a bonny o
Until she came to a miller's dam
The swans swim so bonny o
The miller's daughter, dressed in red
With a hey ho and a bonny o
She went for some water to make some bread
The swans swim so bonny o

Oh father, oh daddy, here swims a swan
With a hey ho and a bonny o
It's very like a gentle woman
The swans swim so bonny o
They placed her on the bank to dry
With a hey ho and a bonny o
There came a harper passing by
The swans swim so bonny o

He made harp pins of her fingers fair
With a hey ho and a bonny o
He made harp strings of her golden hair
The swans swim so bonny o
He made a harp of her breast bone
With a hey ho and a bonny o
And straight it began to play alone
The swans swim so bonny o

He brought it to her father's hall
With a hey ho and a bonny o
And there was the court, assembled all
The swans swim so bonny o
He laid the harp upon a stone
With a hey ho and a bonny o
And straight it began to play lone
The swans swim so bonny o

And there does sit my father the King
With a hey ho and a bonny o
And yonder sits my mother the Queen
The swans swim so bonny o
And there does sit my brother Hugh
With a hey ho and a bonny o
And by him William, sweet and true
The swans swim so bonny o
And there does sit my false sister, Anne
With a hey ho and a bonny o
Who drowned me for the sake of a man
The swans swim so bonny o"
E o belíssimo vídeo da música, claaaaro!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Post Musical - O segundo de 2011

 
Like a Tattoo
Sade

He told me sweet lies of sweet loves
Heavy with the burden of the truth
And he spoke of his dreams
Broken by the burden
Broken by the burden of his youth
Fourteen years he said
I couldn't look into the sun
She saw him laying at the end of my gun
Hungry for life
And thirsty for the distant river
I remember his hands
And the way the mountains looked
The light shot diamonds from his eyes
Hungry for life
And thirsty for the distant river
Like the scar of age
Written all over my face
The war is still raging inside of me
I still feel the chill
As I reveal my shame to you
I wear it like a tattoo
I wear it like a tattoo
I wear it like a tattoo

Post Musical - O primeiro de 2011


Smooth Operator
Sade Adu

Prologue
He's laughing with another girl
And playing with another heart
Placing high stakes, making hearts ache
He's loved in seven languages
Jewel box life diamond nights and ruby lights, high in the sky
Heaven help him, when he falls

Diamond life, lover boy
He move in space with minimum waste and maximum joy
City lights and business nights
When you require streetcar desire for higher heights

No place for beginners or sensitive hearts
When sentiment is left to chance
No place to be ending but somewhere to start

No need to ask
He's a smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator

Coast to coast, LA to Chicago, western male
Across the north and south, to Key Largo, love for sale

Face to face, each classic case
We shadow box and double cross
Yet need the chase

A license to love, insurance to hold
Melts all your memories and change into gold
His eyes are like angels but his heart is cold

No need to ask
He's a smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator

Coast to coast, LA to Chicago, western male
Across the north and south, to Key Largo, love for sale

Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Post Musical Natalino

Não poderia ser diferente, meus queridos!

Feliz Natal à minha família querida, aos meus amigos, aos meus seguidores e leitores do blog, e ao meu Butterfly Enchanteur!


God Rest Ye Merry, Gentlemen
Loreena Mckennitt

God rest ye merry, gentlemen,
Let nothing you dismay
Remember Christ our Saviour
Was born on Christmas Day
To save us all from Satan's power
When we were gone astray.
O tidings of comfort and joy,
comfort and joy;
O tidings of comfort and joy!

From God our Heavenly Father
A blessed angel came
And unto certain shepherds
Brought tidings of the same
How in that Bethlehem was born
The son of God by name

"Fear not," then said the angel
"Let nothing you affright
This day is born a saviour
Of a pure virgin bright
To free all those who trust in him
From Satan's pow'r and might"

The shepherds at those tidings
Rejoiced much in mind,
And left their flocks a-feeding
In tempest, storm and wind
And went to Bethlehem straightaway
This blessed babe to find

But when to Bethlehem they came
Whereat this infant lay
They found him in a manger
Where oxen feed on hay
His mother Mary kneeling
Unto the Lord did pray

Now to the Lord sing praises
All you within this place
And with true love and brotherhood
Each other now embrace
This holy tide of Christmas
All others doth deface

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Don't forget the songs that made you cry, and the songs that saved your life..."

O título do post foi cantado por Stephen Morrissey quando ele ainda era vocalista e líder do The Smiths, em Rubber Ring, do álbum "Louder Than Bombs", de 1987. E dentre as músicas que me fizeram chorar, ou que salvaram a minha vida, estão, sem dúvida alguma, todas as músicas da banda Irlandesa The Cranberries, que esteve em Recife no dia 22 de outubro.

Não sei se consigo passar para vocês, meus seis leitores, a exata dimensão da emoção que senti quando eles anunciaram a vinda deles a Recife, provando que a minha cidade definitivamente entrou na rota dos grandes shows internacionais. Só este ano já passaram por aqui o A-ha, o Iron Maiden, o Simply Red, Megadeath, Black Eyed Peas (com seu insuportável Boom! Boom! Pow! Blergh!) e o Cranberries. Estão previstos ainda shows do Jason Mraz em Maracaípe e Amy Winehouse, no dia 13 de janeiro, salvo engano.

Mas voltemos ao assunto do Cran. Sou fã da banda há pelo menos uns 16 anos, quando ouvi Linger pela primeira vez, numa trilha sonora de uma novela das seis - a novela em questão era o remake de "A Viagem", de 1993. Na época eu era uma pobre estudante sem dinheiro, e me contentava em gravar fitas a partir de discos que pedia emprestado, ou raros especiais transmitidos pelas rádios locais nas noites de sábado. O primeiro CD do Cranberries ganhei de um namorado. O segundo, dos meus amigos. O terceiro, quarto e quinto álbuns, do mesmo namorado. E a isto se seguiu um hiato de pelo menos uns nove anos. A banda resolveu atender os apelos dos fãs espalhados em todo o mundo, e voltou a ativa, provando que ainda estão (e muito), em forma. Saíram em turnê no início deste ano; turnê esta que esteve ameaçada de terminar antes do previsto, devido a um nódulo nas cordas vocais de Dolores. Felizmente ela se restabeleceu, e presenteou a mim e a 14000 pessoas que lotaram o Chevrolet Hall com um show impecável. Eles ainda passaram pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Brasília, e depois daqui, seguiram para Fortaleza, onde encerraram a turnê 2010.

Meu sonho começou a tomar forma depois que mobilizei metade da cidade para comprar meu ingresso, ainda em julho. Pedi às minhas BFF, Sandra Macedo e Dayana Ferraz para me ajudarem, mas felizmente, minha amorinha conseguiu comprar, sacrificando a sua hora do almoço. E a isto, se seguiu uma agonia de três meses até o dia tão esperado! Tive como companheiro de jornada meu colega de trabalho, e fã cranberriano desesperado como eu, Paulo Sérgio. E lá fomos nós. Ficamos praticamente cheirando o chulé da bota de Dolores, de tão próximos que ficamos do palco. Duvidam? Então tá!



E como num filme, ao ouvir as músicas sendo executadas ali, uma a uma, a minha própria vida passou a se desenrolar diante dos meus olhos. Momentos alegres, em que Sandrinha, Day e Chuchu estiveram comigo, momentos nem tão alegres assim, em que eles também estiveram comigo! O que me provou que não importa o que aconteça, os verdadeiros amigos, e as pessoas que te amam de fato estarão ali, ao seu lado, aplaudindo os seus sucessos, estendendo a mão e te ajudando a levantar nas ocasiões em que você tropeçar (e olhe que não são poucas!).

E no meio do show do Cranberries foi difícil segurar a emoção. Não só pelo fato de estar ali, cara a cara com meus heróis, mas também e principalmente, pelo fato de saber que os meus três heróis, os do cotidiano, compartilhariam comigo também desta alegria. Cantei cada música como se as estivesse ouvindo no walkman, sentada no corredor da copa do CEFET, esperando o início das aulas, ao lado deles.



O Cranberries emocionou Recife com:

Analyse
How
Animal Instinct
Ordinary Day (Dolores O'Riordan cover)
Dreaming my Dreams
Linger
Ode to my Family
Still Can't
Time Is Ticking Out
Just my Imagination
Desperate Andy
When You're gone
Can't Be with You
Waltzing Back
Free to Decide
Salvation
Ridiculous Thoughts
Zombie


Bis:
Empty
You and Me
Promises
Dreams


Total de 22 músicas
Início : 22 : 30 hs
Término : 00 : 00 hs

Agora é esperar o próximo álbum, previsto para o ano que vem. E o próximo show!

É isto.

Now listening: Stars, by The Cranberries.

- By Melonella -

sábado, 18 de setembro de 2010

Post Musical

Como eu disse anteriormente, gosto de músicas que me digam algo, que tenham algum sentido. E esta que eu vou postar - de um dos melhores grupos de Rock Progressivo do mundo, os canadenses do Rush - é um exemplo claríssimo disto. Do álbum homônimo, o ótimo Roll The Bones. Enjoy it!



Roll The Bones

Well, you can stake that claim --

Good work is the key to good fortune
Winners take that praise
Losers seldom take that blame
If they don't take that game


And sometimes the winner takes nothing
We draw our own designs
But fortune has to make that frame


We go out in the world and take our chances
Fate is just the weight of circumstances
That's the way that lady luck dances
Roll the bones


Why are we here?
Because we're here
Roll the bones
Why does it happen?
Because it happens
Roll the bones


Faith is cold as ice --
Why are little ones born only to suffer
For the want of immunity
Or a bowl of rice?
Well, who would hold a price
On the heads of the innocent children
If there's some immortal power
To control the dice?


We come into the world and take our chances
Fate is just the weight of circumstances
That's the way that lady luck dances
Roll the bones


Jack -- relax.
Get busy with the facts.
No zodiacs or almanacs,
No maniacs in polyester slacks.
Just the facts.
Gonna kick some gluteus max.
It's a parallax -- you dig?
You move around
The small gets big. It's a rig.
It's action -- reaction --
Random interaction.


So who's afraid
Of a little abstraction?
Can't get no satisfaction
From the facts?
You better run, homeboy --
A fact's a fact
From Nome to Rome, boy.


What's the deal? Spin the wheel.
If the dice are hot -- take a shot.
Play your cards. Show us what you got --
What you're holding.
If the cards are cold,
Don't go folding.

Lady Luck is golden;
She favors the bold. That's cold.
Stop throwing stones --
The night has a thousand saxophones.
So get out there and rock,
And roll the bones.
Get busy!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Post Musical Diferente




Diferentemente dos últimos posts musicais, em que escolho letras que, de certa forma, refletem meu estado de espírito, ou merecem ser eternizadas para lembrar determinadas situações, hoje eu vou falar um pouco da minha relação com as melodias e com as bandas / cantores. Ao contrário do que possam pensar, meus digníssimos cinco seguidores, não, eu não toco nada! Acho que não consigo extrair um som decente e audível nem se bater dois gravetos numa lata de leite em pó, portanto, lamento desapontá-los, se esperavam que eu dissesse que toco harpa, cielo, balalaika, cítara ou algum outro instrumento musical exótico.

A minha relação com a música começou muito cedo. E já muito cedo eu demonstrava, sem modéstia alguma (e desde quando esta palavra fez parte do meu vocabulário?), um gosto mais apurado. Mamãe conta que, aos dois anos, eu me punha praticamente em transe ao ouvir Ebony and Ivory, com Paul McCartney e Stevie Wonder, e dançava ao som de Beat It, by Michael Jackson. Depois disto, confesso que passei por uma lavagem cerebral, quando seres menos evoluídos me levaram a bordo de uma nave espacial e eu passei a ouvir Xuxa.

Os anos se passaram, e comecei a refinar um pouco (muito) o paladar musical. Fiquei mais exigente. As letras passaram a ter sentido e a significar muito para mim, além da melodia. Eu passei a buscar, e até hoje isso é um parâmetro na hora de decidir virar fã ou não, uma identificação com algo, um detalhe peculiar, às vezes imperceptível a um ouvinte eventual, ou menos preocupado com estas questões. Assim, bandas como Depeche Mode, The Cranberries, Cocteau Twins, The Smiths, Tears For Fears, Rush, artistas como Loreena Mckennitt, Mike Oldfield, Dido, Suzanne Vega, passaram a povoar meus CD players. Aprendi história, geografia, inglês e filosofia, ouvindo estes monstros sagrados.  Exemplos? Em "Everything Counts", do excelente Construction Time Again, Martin Gore, meu marido imaginário, versa sobre o capitalismo selvagem e a gana da sociedade e dos poderosos em consumir e acumular para si cada vez mais riquezas, sob a pena da opressão dos mais fracos (ainda tão atual, não?). Ainda do Mode, no mesmo álbum, "Two Minute Warning" fala da iminência de uma guerra nuclear no auge da Guerra Fria, conflito político-ideológico encabeçado por Estados Unidos e União Soviética (qualquer semelhança com o perigo do enriquecimento de Urânio desenfreado no Irã é mera coincidência. Tudo para fins pacíficos. Sei...). Em Yeat's Grave, o Cranberries conta a história do maior poeta irlandês, William Butler Yeats, e cita estes versos no meio da música:

"Why should I blame her,
that she filled my days with misery or that she would of late
Have taught to ignorant men violent ways or
hurled the little streets upon the great
Had they but courage equal to desire?"

Poderia passar horas a fio, citando exemplos, letras, detalhando a magia dos acordes, a perfeição das notas, mas corro o risco de desmerecê-los com minha pieguice.

Todos eles têm um quê de depressão. Mas a vida, a própria vida, já não carrega uma carga depressiva no seu próprio desenrolar?

Now Listening: Girl Afraid, by The Smiths. "She said he never really looks at me..." At me too, girl. At me too.
 
P.S.: Post escrito numa madrugada insone, em Caruaru.
 
By Melonella.