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quarta-feira, 27 de abril de 2011

To Be Or Not To Be - Parte II



HAMLET: Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem. Mas, silêncio! Aí vem vindo a bela Ofélia. Em tuas orações, ninfa, recorda-te de meus pecados.

OFÉLIA Como tem passado, príncipe, no correr de tantos dias?

HAMLET: Muitíssimo obrigado; bem, bem, bem.

OFÉLIA: Tenho algumas lembranças suas, príncipe, que há muito devolver eu desejara; receba-as, por favor.

HAMLET: Eu, não; eu, não; eu nunca te dei nada.

OFÉLIA: O príncipe bem sabe que é verdade, e com palavras de tão doce anélito, que o valor dos presentes aumentava. Mas, evolado o aroma, agora os trago. Os brindes se empobrecem, para uma alma bem-nascida, de par com os sentimentos de quem os dá. Ei-los aqui, meu príncipe.

HAMLET: Ah! Ah! És honesta?

OFÉLIA: Como assim, príncipe?

HAMLET: És bela?

OFÉLIA Que quer dizer Vossa Alteza com isso?

HAMLET: É que se fores, a um tempo, honesta e bela, não deves admitir intimidade entre a tua honestidade e a tua beleza.

OFÉLIA Mas, príncipe, poderá haver melhor companhia para a beleza do que a honestidade?

HAMLET: Realmente, que a beleza, com o seu poder, levaria menos tempo para transformar a honestidade em alcoviteira do que esta em modificar a beleza à sua imagem. Já houve época em que isso era paradoxo; mas agora o tempo o confirma. Cheguei a amar-te.

OFÉLIA: Em verdade, o príncipe me fez acreditar nisso.

HAMLET: Não deverias ter-me dado crédito, porque a virtude não pode enxertar-se em nosso velho tronco, sem que deste não remanesça algum travo. Nunca te amei.

OFÉLIA: Tanto maior é a minha decepção.

HAMLET: Entra para um convento. Por que hás de gerar pecadores? Eu, de mim, considero-me mais ou menos honesto, mas poderia acusar-me de tais coisas, que teria sido melhor que minha mãe não me houvesse dado à luz. Sou orgulhoso, vingativo, cheio de ambição, e disponho de maior número de delitos do que de pensamentos para vesti-los, imaginação para dar-lhes forma, ou tempo para realizá-los. Para que rastejarem entre o céu e a terra tipos como eu? Todos somos consumados velhacos; não deves confiar em ninguém. Toma o caminho do convento. Onde se encontra teu pai?

OFÉLIA: Em casa, alteza

HAMLET: Que lhe fechem as portas, a fim de impedirem que faça papel de tolo, a não ser em sua própria casa. Adeus.

OFÉLIA: Ajuda-o, céu de bondade.

HAMLET: Se tiveres de casar, dou-te por dote a seguinte maldição: ainda que sejas casta como o gelo e pura como a neve, não escaparás à calúnia. Vai; entra para o convento; adeus. Ou então, se tiveres mesmo de casar, escolhe um néscio para marido, porque os assisados sabem perfeitamente em que monstros as mulheres os transformam. Para o convento, vai; e isso depressa. Adeus.

OFÉLIA: Poderes celestiais, restituí-lhe a razão!

HAMLET: Conheço muito bem vossas pinturas; Deus vos deu um rosto e arrumais outro; andais aos pulinhos e com requebros, falais cheias de esses e dais nomes indecentes às criaturas de Deus, fazendo vossa leviandade passar por inocência. Vai; não insisto, porque foi isso que me deixou louco. O que digo é que não teremos casamentos; os que já são casados, com exceção de um, hão de continuar vivos; os de mais, prosseguirão como estão. Para o convento; vai!


(Sai.) OFÉLIA: Que nobre inteligência assim perdida!

O olho do cortesão, a língua e o braço do sábio e do guerreiro, a mais florida esperança do Estado, o próprio exemplo da educação, o espelho da elegância, o alvo dos descontentes, tudo em nada! E eu, a mais desgraçada das mulheres, que saboreei o mel de suas juras musicais, ter de ver essa admirável razão perder o som, qual sino velho, essa forma sem par, a flor da idade, fanada pela insânia! Ó dor sem fim! Ter já visto o que vi, e vê-lo assim!

 
Now listening: No Good For Me, by The Corrs.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Perfeita em vão - Por corramarry.com


E lá está você anotando no caderninho mental tudo o que aquela pessoa gosta, quer e espera de alguém, e sendo. Sendo aquilo que você faz força para ser, porque você sabe que ser apenas você mesma, é ser alguém que troca os pés pelas mãos e que sempre acaba boicotando suas próprias vontades. Ser você mesma é o que há de mais imperfeito em toda sua essência.

Lá está você sendo perfeita em vão, sendo perfeita para que ninguém veja, sendo perfeita para alguém que não precisa da sua perfeição. Você se esforça ao seu máximo, mas a sua perfeição e o seu máximo nunca são o suficiente.

E cansa. Cansa demais demorar um mês inteiro para ser perfeita, e em questão de segundos ser jogada o mais longe possível. Cansa demais se perguntar onde tudo desandou. Cansa demais não aceitar que tudo tenha desandado. Cansa demais se culpar, culpar os outros, culpar alguém. Cansa demais ser perfeita em vão.

Você finge que não se importa, e isso também cansa demais. Você tenta não esperar nada, mas você ainda está parada na mesma estrada em que te deixaram esperando por alguém que não vai voltar. Mas você continua a esperar. E então o bichinho da esperança começa a ser esmagado pelos dias de espera. Dias que viram semanas e semanas que viram meses, e você se recusa a esperar que os meses virem anos. Mas essa espera já não depende mais de você. Essa espera depende daquilo que você abafou por tanto tempo com a sua enorme vontade de ser perfeita.

E que merda é ser perfeita. Que merda é esconder os erros do outro debaixo do tapete, mas se martirizar por um vida inteira pelos seus. Que merda ter que aceitar que acabou. Que merda ter que dar a volta por cima. Que merda não achar o botãozinho interno que decretaria o fim, sem volta, sem retorno, sem a bosta de esperança. Que merda não conseguir ser perfeita para você mesma.

As pessoas caem nas frases feitas, nas ilusões criadas por elas mesmas, nos medos mais internos e em suas enormes vontades nunca saciadas. Porque dessa vez pode ser diferente. Dessa vez, você se preparou. Mas a verdade é que quando a dor diz “Querida, cheguei”, todo o preparo sai pela porta dos fundos.

Now listening: Everybody Hurts, by R.E.M

domingo, 27 de março de 2011

Liz Taylor said... (1932 - 2011)

"Sou um exemplo vivo do que as pessoas são capazes de fazer para sobreviver. Mas não sou uma qualquer. Sou eu."

Sobrevivendo...

"Naquela noite, tivemos um sinal de alarme. Mais tarde, descobri que se tratava apenas de uma batida de reconhecimento nos arredores, mas não sabia disso enquanto estava em ação, e tampouco os outros sabiam. O campo de pouso já fora atingido antes pelos sapadores. Pessoas haviam morrido, diversos aviões e helicópteros tinham ido pelos ares. Podia acontecer outra vez. A gente só fica sabendo que um ataque é 'apenas uma batida de reconhecimento' depois que termina. Fiquei de pé, do lado de fora, ao lado de outros soldados recém-chegados e observava homens berrando, correndo seminus em várias direções. Caminhões passavam em alta velocidade, alguns com luzes giratórias iguais às dos carros-patrulha da polícia. Por entre estridentes e nervosos disparos de M-16, eu podia ouvir o matraquear de metralhadoras pesadas, num som profundo e metódico. Clarões irrompiam no alto. Recobriam tudo com uma luz fria, trêmula.

Ninguém vinha nos dizer o que estava acontecendo. Não tínhamos recebido nosso equipamento de combate, portanto não possuíamos armas, munições, coletes à prova de balas, nem sequer um capacete de aço. Estávamos indefesos. E ninguém sabia nem se importava com isso. Haviam se esquecido de nós - ou, para ser mais exato, haviam se esquecido de mim. Naquele lugar todo, não havia uma única pessoa pensando em mim, pensando assim, meu Deus, é melhor eu ir até lá dar uma olhada e ver se está tudo bem com o Tenente Wolff! Não. Eu não estava no pensamento de ninguém. E compreendi que isso era verdade não só ali mas em todo e qualquer centímetro quadrado daquele país. Não havia uma única pessoa ali preocupada em saber se eu estava vivo ou morto. Talvez alguns corações mais brandos se importassem, em abstrato, mas era meu destino ser um indivíduo concreto e, como indivíduo, havia, a meu respeito, um indiscutível e completo desinteresse.


Não é verdade que ninguém se importava. Eu me importava. Aos meus olhos, parecia que eu dava importância excessiva, mais do que seria decente ou adequado a um homem. Podia sentir minha vida quase como se fosse uma coisa à parte, suplicando que eu a protegesse."


Now listening: Alive and Kicking, by Simple Minds.

(Extraído de "No Exército do Faraó - Memórias da guerra perdida, de Tobias Wolff)

terça-feira, 15 de março de 2011

Post Musical

A letra da música fala por si só.

A Mulher de Pilatos - Lançando o Feitiço (por Antoninette May) - parte II


"Meus dedos tornaram a descansar no sistro, um instrumento a ser tocado quando se quer desafiar uma situação. Suspirei; era um caso perdido. Todos sabiam que as leis do destino estavam escritas nas estrelas... Tentar suplantar seus imperativos cósmicos era algo que ninguém nunca tinha ouvido... mas Ísis havia ajudado Cléopatra... Se tenho que arranjar um marido, por que não o que desejo?
Justo nesta hora, Pilatos deu uma olhada para trás e me viu sentada. Trocamos um olhar demorado que me aqueceu o corpo, encheu-me de excitação e reforçou minha determinação.

...

Um dia, mamãe resolveu desfrutar uma tarde em casa com Tata. Era a oportunidade pela qual vinha esperando. Raquel e eu saímos para comprar um presente de aniversário para Agripina, escolhemos um colar de contas grandes de âmbar e, em seguida, embarcamos depressa numa missão diferente.
O Iseneum de Antioquia, embora menor que o de Alexandria, me fez lembrar uma jóia delicada. Passei depressa pelos mosaicos primorosos, prometendo a mim mesma examiná-los em detalhe numa outra ocasião. Parei para ajoelhar diante de uma estátua de Ísis, murmurei algumas palavras de súplica, depois levantei para encarar a sacerdotisa idosa que veio receber-me no átrio.

- Preciso falar com seu mistagogo - expliquei.

A sacerdotisa abanou a cabeça com um sorriso lamentoso.

- Está na hora da meditação dele. Volte mais tarde, talvez esta noite.
- Não posso vir mais tarde. Tem que ser agora. É um assunto muito importante.
- Todos sempre acham que o seu assunto é "muito importante". Não creio tê-la visto aqui antes.
- É a minha primeira visita. - admiti, acrescentando: - Fiz minha iniciação em Alexandria.
- Ah, uma iniciada! - disse a sacerdotisa, olhando-me com mais interesse. - Vejo que está usando o sistro.
- Ganhei-o da suma sacerdotisa de Alexandria. Vocês têm uma cripta aqui?
- É claro que temos, e está cheia da água sagrada do Nilo. Gostaria de vê-la?
- Não, uma vez foi o bastante, mas gostaria de ver o mistagogo. A senhora pode perguntar se posso? - pedi com um olhar súplice para a mulher idosa.

Ela pensou por um instante, depois fez sinal para segui-la.

- A decisão será dele.

Meu coração disparou quando deixei Raquel no átrio e acompanhei a sacerdotisa, entrando num corredor de mármore. Se ao menos o mistagogo fosse mulher! Será que conseguiria explicar meu problema a um homem? Por mais que desejasse ajuda, seria quase um alívio caso ele se recusasse a me receber.

Não se recusou.

De estrutura franzina, o mistagogo usava uma túnica de linho branco, elegantemente talhada. Sua pele era morena-clara, e o cabelo, encaracolado e bem aparado, levemente entremeado de fios grisalhos. Perscrutei seus olhos límpidos e percebi uma certa tristeza por trás da sofisticação.

- Há um homem - comecei, hesitante. - Creio que o amo.
- Crê? - perguntou o mistagogo, elevando uma sobrancelha escura e lustrosa.
- Eu realmente o amo. - corrigi-me. Do que mais poderia se tratar? Meus primos, Druso e Nero, por mais queridos que fossem, nunca me fizeram ficar acordada à noite, pensando, especulando, desejando tocá-los. O que sentia por Pilatos não se assemelhava a nada que tivesse experimentado. Só podia ser amor.
- E ele a ama?
- Poderia amar. Sei que poderia... eu sinto isso... mas o dinheiro e a posição são importantes para ele. Todos falam de sua ambição.
O mistagogo me estudou pelo que pareceu ser muito tempo.
- Sim - disse finalmente. - Tem razão. Ele poderia amá-la, amá-la muito. Um dia, ele dependerá de você de um modo que você nem pode imaginar, mas isso não o transforma no homem certo. Há outra pessoa. Seria sensato esperar por ela.
- Não quero esperar. Quero esse homem.
Um sorriso irônico se abriu brevemente nos lábios do mistagogo.
- Então reze para Ísis.
- Preciso mais do que orações. Meus pais têm pouco dinheiro para o dote. Dizem que é um caso perdido.
- Você quer um feitiço de amor.
- Sim - murmurei.
- Você é uma jovem excepcional, dotada de vidência.
- O senhor sabe disso?
- Sei e fico surpreso por você não estar ciente do quanto os feitiços podem ser aprisionadores.
- É isso que eu quero! Quero prendê-lo. O senhor não pode me ajudar?
- Há um preço.
Abri a bolsa que levava na cintura e esvaziei seu conteúdo. Duzentos sestércios.
- São tudo o que tenho, eles e este bracelete - e tirei do pulso uma pulseira de ouro.
O mistagogo recebeu o dinheiro e a pulseira, guardando-os numa gaveta da mesa.
- Há um preço muito maior. Você o pagará depois."

Acho que não.

Now listening: Fascination, by Everything But The Girl.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Amar pela metade, ou amar sem medida?

Gonzaguinha era, sem dúvida, um compositor genial. Visceral. E compôs uma obra prima chamada "Mulher, e daí?". Acabei achando enquanto procurava alguma letra que expusesse ao mundo as minhas próprias chagas de um coração partido... sim, meus dignos cinco leitores (talvez a demora em atualizar o blog esteja provocando uma evasão em massa dos meus leitores), expor ao mundo, e o que é que tem? Não tem essa de se fazer de coitadinha não... é que não consigo fingir estar tudo bem quando não está tudo bem. "Don't say you're up when you're down, it's Elemental!", já dizia o bom e velho Orzabal!

Quanto se ganha amar pela metade, ou amar sem medida? Quanto se perde?

Quanto se preserva amando superficialmente, comendo pelas beiradas, quando o momento pede para que você sorva a presença ou a ausência em grandes goles até que isso venha a sufocar, a sangrar, a arrebentar, como um ferimento de dentro pra fora...

E aí, a ilusão termina. Acho que li isso no horóscopo do meu signo ascendente, hoje.

Mulher e daí?

Acima de tudo, mulher. Não sei criar personagens. Já dá trabalho demais ser quem sou.

- By Melonella -

domingo, 9 de janeiro de 2011

Agreste

Sempre quis escrever algo sobre a região que para mim é muito mais do que um local de trabalho. É o meu refúgio particular. É onde meus olhos se perdem pela paisagem por vezes árida, por vezes fértil. "This used to be my playground", já cantava a Madonna.

Primeiro vamos à aula de Geografia...
Segundo o Wikipédia, a mesorregião do Agreste Pernambucano é uma das cinco mesorregiões do estado brasileiro de Pernambuco, estendendo-se por uma área aproximada de 24400 km², inserida entre a Zona da Mata e o Sertão. Representa 24,7% do território pernambucano e conta com uma população de cerca de 1,8 milhões de habitantes (25% da população do Estado). O clima é predominantemente semi-árido, embora apresente áreas mais úmidas.

Igualzinho a mim. Os dias são ensolarados na maior parte do tempo, mas quando desaba a tempestade...

Esta foto foi tirada por Anderson Carvalho. Traz um belíssimo por-do-sol e as torres de telefonia sobre o Morro do Bom Jesus, em Caruaru.
Now listening: "This Used To Be My Playground" by Madonna. 


sábado, 8 de janeiro de 2011

Escolhas...

Já era cedo quando eu secava e domava as minhas madeixas rebeldes no salão. O rádio estava sintonizado numa emissora evangélica, cujo som era abafado pelo barulho do secador. Absorta em minha própria impaciência em ver acabar todo aquele martírio, ouvi uma frase, que foi exaustivamente repetida pelo locutor enquanto pregava o evangelho: "O homem faz suas escolhas e as escolhas fazem o homem".

A frase foi forjada na minha cabeça como o ferro é forjado através do calor e de golpes constantes do martelo contra uma bigorna. Sim, é verdade. O homem faz suas escolhas. Você, meu nobre leitor fez as suas escolhas, e não falo sobre a escolha entre tomar um sorvete de kiwi ou de jiló (e fatalmente recaio sobre isso). Sem dúvida você escolheu sacrificar seu sábado para estudar um pouco mais aquela matéria em que você ficou em recuperação, ou para cuidar de um ente querido. Ou escolheu passar o final de semana em Porto de Galinhas e atrasou aquele trabalho importante pra ser entregue numa segunda-feira. Pagou o ônus e recebeu os bônus por cada direcionamento dado à própria vida.
Escolhi a estabilidade e segurança da minha família, desta vez.  Escolhi não cometer o mesmo erro duas vezes. Se as escolhas me farão no futuro, só tempo é quem dirá.

"Maybe we'll be again, somewhere, again...", já dizia uma balada de amor antiga.

Now listening: Carrie, by Europe. "Things may change, my friend..."

domingo, 2 de janeiro de 2011

Butterfly Enchanteur!


Tomara que não seja numa cama de hospital, né, Butterfly Enchanteur?!?

Deixa eu te ver amanhã? ^^

P.S.: É impressionante o quanto você e o Dalton Vigh se parecem!


- By Melonella

sábado, 1 de janeiro de 2011

Post Musical - O segundo de 2011

 
Like a Tattoo
Sade

He told me sweet lies of sweet loves
Heavy with the burden of the truth
And he spoke of his dreams
Broken by the burden
Broken by the burden of his youth
Fourteen years he said
I couldn't look into the sun
She saw him laying at the end of my gun
Hungry for life
And thirsty for the distant river
I remember his hands
And the way the mountains looked
The light shot diamonds from his eyes
Hungry for life
And thirsty for the distant river
Like the scar of age
Written all over my face
The war is still raging inside of me
I still feel the chill
As I reveal my shame to you
I wear it like a tattoo
I wear it like a tattoo
I wear it like a tattoo

Post Musical - O primeiro de 2011


Smooth Operator
Sade Adu

Prologue
He's laughing with another girl
And playing with another heart
Placing high stakes, making hearts ache
He's loved in seven languages
Jewel box life diamond nights and ruby lights, high in the sky
Heaven help him, when he falls

Diamond life, lover boy
He move in space with minimum waste and maximum joy
City lights and business nights
When you require streetcar desire for higher heights

No place for beginners or sensitive hearts
When sentiment is left to chance
No place to be ending but somewhere to start

No need to ask
He's a smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator

Coast to coast, LA to Chicago, western male
Across the north and south, to Key Largo, love for sale

Face to face, each classic case
We shadow box and double cross
Yet need the chase

A license to love, insurance to hold
Melts all your memories and change into gold
His eyes are like angels but his heart is cold

No need to ask
He's a smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator

Coast to coast, LA to Chicago, western male
Across the north and south, to Key Largo, love for sale

Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator, smooth operator

domingo, 26 de dezembro de 2010

A Mulher de Pilatos - Hymen Hymenalus (Antoinette May)

"Era uma recepção discreta - apenas alguns convidados -, nada parecida com o estilo de Agripina. Por quê? - perguntei a mim mesma, porém não por muito tempo. Pilatos estava lá. Ele era tudo o que importava. (...)



Meu olhar se encontrou com o dele. Pilatos me observava. Estremeci de prazer. Quando ele me dava aquele sorriso lento, parecia que tinha um mel derretido escorrendo pelas minhas costas. Ele cumprimentou o centurião com quem conversava e, em poucos passos, atravessou a grande sala. Acomodando-se num banco almofadado junto ao meu divã, cochichou em meu ouvido:

- Dizem que, mais cedo ou mais tarde, toda mulher fica com o rosto que merece.
Intrigada acompanhei seu olhar até um canto em que mamãe entretinha os convidados, no centro de um pequeno círculo de amigos.

- Ela ainda é muito bonita - disse Pilatos.
- E bonita por dentro também - acrescentei -, mas é preciso conhecê-la para descobrir isso.

Ele fez sinal para um escravo que passava, pegou duas taças de vinho e me entregou uma.
- Você tem a beleza dela e algo mais... um toque de mistério. Ninguém sabe exatamente no que está pensando. Você tem isso e... - inclinou-se para perto, tornando a cochichar - ...talvez uma certa malícia. Às vezes acho que gosta de criar problemas só para se divertir.
- Talvez - admiti.

Atrás dele, vi Germânico aproximar-se. Carregava uma lira embaixo do braço. Que amolação! Eu não queria que ninguém nos interrompesse.
- Dispensei os malabaristas - explicou Germânico. - O pesadão deixou cair a tocha duas vezes. E, depois, o barulho que eles fazem, toda aquela gritaria... Eu gostaria que você cantasse, Cláudia, como costumava fazer na Gália. Faz muito tempo que não ouço sua voz encantadora, tempo demais.(...)

Dedilhando alguns acordes, sussurrei uma prece a Ísis e comecei. Primeiro, uma leve paródia militar que sempre divertia Germânico. Depois, ganhando confiança, uma balada popular que parodiava a fábula de Leda e seu amado cisne. Pilatos chegou mais perto, sorrindo. Desviando meus olhos dos seus, vi as expressões de tédio cortês se transformarem em surpresa. (...)"

Now listening: No Good For Me, by The Corrs.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aconteceu conosco, Butterfly Enchanteur!

Não sei exatamente quando foi que comecei a reparar em você. Uma das coisas que pretendo fazer, quando tiver a minha cabeça recostada em seu peito, é perguntar quando é que exatamente você começou a reparar em mim. Há quantos anos? Dez? Eu era estagiária, você trabalhava numa empresa de transporte coletivo, e nós dois trocávamos olhares pelo retrovisor do bus, durante a minha ida ao trabalho e na volta, e quando eu ia pra faculdade. Apesar de todo meu escracho, sou terrivelmente tímida pra essas coisas; acho que você já deve ter reparado, quando olha para as minhas bochechas em vermelho rubro quando a gente se esbarra de manhã, ou na hora do almoço.

Nós nos perdemos, eu me perdi. Perdi a fé em mim, no amor, na vida. Passei a ser produto das circunstâncias, a viver ao sabor do vento, sonhos adormecidos, esquecidos, como se esquece um velho diário dentro de uma gaveta, de uma caixa no porão, no quartinho da bagunça.

E aí, a gente se encontra de novo.

Eu queria ter uma máquina fotográfica pra registrar a surpresa em nossos olhos quando nos pusemos diante um do outro, por uma coincidência, uma combinação dos dados - Roll The Bones! - uma ironia do destino, sei lá como chamar isso. O que é que você comentou com o seu colega, que colocou todo o corpo pra fora da janela quando você me mostrou a ele? O que é que vocês dois comentam quando nos encontramos, quase todos os dias, quando ele se aflige em te avisar que eu estou chegando? O que é que passa na sua cabeça quando eu sumo e volto a aparecer?

Daria metade do meu reino para ver o sorriso que a minha mãe me descreveu no dia em que nos falamos pela primeira vez, pelo telefone dela...

O que é que está escrito no papel que o teu colega tentou me entregar antes de ontem?

Quais serão as cenas dos próximos capítulos, querido meu?

A luz de perigo está acesa, piscando em neon, mas não me perdoaria se não corresse o risco...

Afinal de contas, quando eu estiver em perigo, é a você que vou chamar, sempre.

"Who do you need, who do you love, when you're come undone?"

- By Melonella -

Now listening: Come Undone, by Duran Duran

sábado, 4 de dezembro de 2010

A Mulher de Pilatos - Lançando o Feitiço (Antoinette May)




Antioquia - no oitavo ano do reinado de Tibério (ano 22 da Era Comum)

Ao abraçar Druso, meu olhar vagou sobre seu ombro até um canto em que meus pais conversavam com um homem que nunca tinha visto antes. Ele deveria ter uns 27 anos, uns bons 10 a mais que eu. Esbelto, mas de ombros largos, tinha no porte um charme descontraído. Elegante e belo como um jovem leopardo. Estava olhando para mim nesse momento, risonho, muito confiante.

- Quem é aquele? - perguntei a Druso.
- Nem pense nisso.

Recuei, olhando surpresa para meu primo.

- Dizem que é um caça-dotes e que aprecia demais as mulheres.
- É mesmo?

Afastei-me de Druso e me aproximei lentamente do recém-chegado, prendendo a respiração e arqueando as costas. Júlia e Druscila andavam desse jeito o tempo todo, eu só estava começando a praticar.

- Pôncio Pilatos, um centurião que acabou de regressar da Pátria - meu pai apresentou.

O centurião acenou com a cabeça, sorrindo para mim.

- Vim trazer uma mensagem. Seu pai teve a gentileza de me convidar para ficar em sua festa.

Suas palavras flutuaram no ar. Perdida em seus olhos, pensei num lago azul, profundo e perigoso. Pilatos aproximou-se.

N.B.: O meu Pilatos tem olhos verdes, mas tudo bem...

- Algumas mulheres não foram feitas para ser vestais - disse.

Do que ele estava falando? Ah, não era absolutamente de mim! Olhava para o busto de Marcela, colocado num pedestal próximo. Mas então os olhos de Pilatos se deslocaram e me analisaram rapidamente da cabeça aos pés.

- Isso também não combinaria com você - completou.
- Não? - minha voz estremeceu. Respirei fundo, esperei um instante e levantei a cabeça. Era minha vez de estudá-lo.

Pilatos tinha feições proporcionais, queixo bem definido, um nariz esculpido a cinzel; os lábios eram carnudos, cobertos por rugas quase imperceptíveis. Havia nele um toque de fraqueza? Decerto que não. Um toque de cinismo, talvez. E isso não era de se esperar de um soldado?

- Não, não serviria. - repetiu com um sorriso iluminando seu rosto.

Now listening: Fascination, by Everything But The Girl.

domingo, 21 de novembro de 2010

Inspiração... ou falta de!

"s.f. Ação de inspirar ou ser inspirado.

Ação pela qual o ar penetra nos pulmões: o homem adulto, em repouso, faz 16 inspirações por minuto.

Fig. Conselho, sugestão: agir por inspiração de.

Estado da alma quando influenciada por uma potência sobrenatural: inspiração divina.

A força inspiradora; o estro: poeta de grande inspiração.

Coisa inspirada."
 
 
Agora compreendo porque não consigo escrever. Falta-me o ar aos pulmões.
 
Mais uma semana, Butterfly Enchanteur. Isso se eu não enlouquecer antes. Você bem que poderia vir me salvar, né?
 
Now listening: Enchantment, by Corine Bailey Rae.

domingo, 14 de novembro de 2010

Post Musical - 6,02x10²³ - A saga continua

O segundo post é de uma música que me remete a você. Não sei por que, exatamente, talvez o fato de você ser a cara do Simon Le Bon do Duran Duran... ou talvez pelo fato de mesmo estando em perigo, sinto-me segura ao seu lado. E isto é um paradoxo. Mais olhos verdes e mais música:



Come Undone
Duran Duran
Composição: Duran Duran


My immaculate dream, made of breath and skin.
I've been waiting for you.
Signed with a home tattoo.
Happy birthday to you, was created for you.


(Can't ever keep from falling apart at the seams.
Cannot believe, you're taking my heart to pieces.)


Oh, it'll take a little time, might take a little crime to come undone.
Now we'll try to stay blind to the hope and fear outside.
Hey child, stay wilder than the wind, and blow me in to cry.


Who do you need, who do you love, when you come undone?
Who do you need, who do you love, when you come undone?


Words, play me deja vu, like a radio tune I swear I've heard before.
Chill, is it something real, or the magic I'm feeding off your fingers?


(Can't ever keep from falling apart at the seams.
Cannot believe, you're taking my heart to)


Lost in a snow filled sky, we'll make it alright to come undone.
Now we'll try to stay blind to the hope and fear outside.
Hey child, stay wilder than the wind, and blow me in to cry.


Who do you need, who do you love, when you come undone?

Now Listening: A própria.

Post Musical - 6,02x10²³

Melonella is fallen again.

Podem me chamar de volúvel, inconstante, nem ligo. Estou vivendo meus amores, mesmo os impossíveis. O que os torna possíveis é a nossa capacidade de viver a vida sem medo de suas "efemérides".

A primeira música de hoje é esta. Em homenagem aos seus olhos verdes, "Butterfly Enchanteur":




Espelhos D'água
Dalto
Composição: Dalto e Cláudio Rabello


Os seus olhos são espelhos d'água
Brilhando você pra qualquer um
Por onde esse amor andava
Que não quis você de jeito algum
Que vontade de ter você
Que vontade de perguntar
Se ainda é cedo
Que vontade de merecer
Um cantinho do seu olhar
Mas tenho medo