segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Don't forget the songs that made you cry, and the songs that saved your life..."

O título do post foi cantado por Stephen Morrissey quando ele ainda era vocalista e líder do The Smiths, em Rubber Ring, do álbum "Louder Than Bombs", de 1987. E dentre as músicas que me fizeram chorar, ou que salvaram a minha vida, estão, sem dúvida alguma, todas as músicas da banda Irlandesa The Cranberries, que esteve em Recife no dia 22 de outubro.

Não sei se consigo passar para vocês, meus seis leitores, a exata dimensão da emoção que senti quando eles anunciaram a vinda deles a Recife, provando que a minha cidade definitivamente entrou na rota dos grandes shows internacionais. Só este ano já passaram por aqui o A-ha, o Iron Maiden, o Simply Red, Megadeath, Black Eyed Peas (com seu insuportável Boom! Boom! Pow! Blergh!) e o Cranberries. Estão previstos ainda shows do Jason Mraz em Maracaípe e Amy Winehouse, no dia 13 de janeiro, salvo engano.

Mas voltemos ao assunto do Cran. Sou fã da banda há pelo menos uns 16 anos, quando ouvi Linger pela primeira vez, numa trilha sonora de uma novela das seis - a novela em questão era o remake de "A Viagem", de 1993. Na época eu era uma pobre estudante sem dinheiro, e me contentava em gravar fitas a partir de discos que pedia emprestado, ou raros especiais transmitidos pelas rádios locais nas noites de sábado. O primeiro CD do Cranberries ganhei de um namorado. O segundo, dos meus amigos. O terceiro, quarto e quinto álbuns, do mesmo namorado. E a isto se seguiu um hiato de pelo menos uns nove anos. A banda resolveu atender os apelos dos fãs espalhados em todo o mundo, e voltou a ativa, provando que ainda estão (e muito), em forma. Saíram em turnê no início deste ano; turnê esta que esteve ameaçada de terminar antes do previsto, devido a um nódulo nas cordas vocais de Dolores. Felizmente ela se restabeleceu, e presenteou a mim e a 14000 pessoas que lotaram o Chevrolet Hall com um show impecável. Eles ainda passaram pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Brasília, e depois daqui, seguiram para Fortaleza, onde encerraram a turnê 2010.

Meu sonho começou a tomar forma depois que mobilizei metade da cidade para comprar meu ingresso, ainda em julho. Pedi às minhas BFF, Sandra Macedo e Dayana Ferraz para me ajudarem, mas felizmente, minha amorinha conseguiu comprar, sacrificando a sua hora do almoço. E a isto, se seguiu uma agonia de três meses até o dia tão esperado! Tive como companheiro de jornada meu colega de trabalho, e fã cranberriano desesperado como eu, Paulo Sérgio. E lá fomos nós. Ficamos praticamente cheirando o chulé da bota de Dolores, de tão próximos que ficamos do palco. Duvidam? Então tá!



E como num filme, ao ouvir as músicas sendo executadas ali, uma a uma, a minha própria vida passou a se desenrolar diante dos meus olhos. Momentos alegres, em que Sandrinha, Day e Chuchu estiveram comigo, momentos nem tão alegres assim, em que eles também estiveram comigo! O que me provou que não importa o que aconteça, os verdadeiros amigos, e as pessoas que te amam de fato estarão ali, ao seu lado, aplaudindo os seus sucessos, estendendo a mão e te ajudando a levantar nas ocasiões em que você tropeçar (e olhe que não são poucas!).

E no meio do show do Cranberries foi difícil segurar a emoção. Não só pelo fato de estar ali, cara a cara com meus heróis, mas também e principalmente, pelo fato de saber que os meus três heróis, os do cotidiano, compartilhariam comigo também desta alegria. Cantei cada música como se as estivesse ouvindo no walkman, sentada no corredor da copa do CEFET, esperando o início das aulas, ao lado deles.



O Cranberries emocionou Recife com:

Analyse
How
Animal Instinct
Ordinary Day (Dolores O'Riordan cover)
Dreaming my Dreams
Linger
Ode to my Family
Still Can't
Time Is Ticking Out
Just my Imagination
Desperate Andy
When You're gone
Can't Be with You
Waltzing Back
Free to Decide
Salvation
Ridiculous Thoughts
Zombie


Bis:
Empty
You and Me
Promises
Dreams


Total de 22 músicas
Início : 22 : 30 hs
Término : 00 : 00 hs

Agora é esperar o próximo álbum, previsto para o ano que vem. E o próximo show!

É isto.

Now listening: Stars, by The Cranberries.

- By Melonella -

Our Time in Eden

"Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço"...

Sim, trinta dias de ócio criativo se passaram! Roberta Pardo disse que "as férias são como uma caixa de surpresas, enorme e misteriosa, nelas nos esperam as experiências mais intensas e extraordinárias". Sim, senti na pele essa emoção! O mês de outubro de 2010 - este que hoje se encerra com o Halloween literalmente falando: a eleição da Dilma Roussef com 55% dos votos válidos é, realmente, um "Dia das Bruxas" - foi um mês transformador para mim em todos os sentidos. Falo disto nos próximos posts, "I promise you I will", meus digníssimos seis leitores.

Comecemos do começo, então.

Se eu tivesse que escolher um lugar para chamar de "Meu Éden", este com certeza seria Maragogi, Alagoas. "Por que, querida Mariposa?", perguntariam vocês. Explico: tenho uma relação especial com esta cidade situada logo após a divisa litorânea entre Pernambuco, meu estado natal, e Alagoas. A primeira vez em que lá estive foi há 12 anos atrás, numa situação completamente diferente da que vivi nas férias deste ano, mas que não foi constrangedora o suficiente para tirar a magia do amor à primeira vista. O mar de águas claras aliado à paz de uma cidadezinha de interior, faz de Maragogi uma cidade de muitos (eu digo muitos, MESMO) contrastes.

O acesso se dá pela PE-60 e AL-101 Norte. E querem um conselho? Pensem 6,02 x 10²³ vezes antes de ir pela Real Alagoas! Saí de Recife às 11h00min da manhã, e cheguei, azul de fome, coberta de poeira da cabeça aos pés, às 15h40min. O ônibus faz uma Via Crucis pela Estrada da Batalha em obras, pelo Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Rio Formoso, Barreiros - onde não pude deixar de me emocionar com a situação das pessoas que AINDA estão morando em barracas gentilmente cedidas pelo Governo Britânico, esquecidas pelos candidatos mesmo em períodos eleitoreiros (sim, eleitoreiros, estrategistas!), sobrevivendo graças à solidariedade do povo Pernambucano. - Sirinhaém, São José da Coroa Grande, até chegar a Maragogi, onde não há Terminal Rodoviário! Os ônibus páram às margens da AL 101 - Norte, em frente às pousadas, ou onde a necessidade do passageiro disser. E os únicos ônibus que atendem à população saem às 04h15min e 11h00min da manhã de Recife, ou de Maceió. Depois disso, apenas lotação, se você quiser chegar numa ou noutra cidade. As pousadas possuem serviços de transfer com empresas especializadas. Vai por mim, é mais seguro e confortável.

Mas...

O que dizer ao ser contemplada com imagens como esta, na chegada?



A fotografia foi tirada de uma das palhoças da Pousada onde fiquei, a Portal do Maragogi(http://www.portaldomaragogi.com.br/). É bem aconchegante, com quartos hiper confortáveis, um ótimo café da manhã, e jantar excelente! Mas em Maragogi há outras boas opções de acordo com o gosto e o bolso de cada freguês. Dá pra se hospedar bem por menos de R$ 100,00 a diária. Né legal?

Falando em opções, há várias para o seu entretenimento. As mais famosas são os passeios às Galés, as piscinas naturais que se formam há uns 20 km mar adentro, oferecidos pelas pousadas e/ou pelos vários restaurantes da orla. Não estou ganhando nada pelo Merchandising, mas, recomendo o Catamarã do Restaurante Maragolfinho, que é equipado com banheiros, inclusive. Aliás, a comida do restaurante é fantástica! Destaque para o filé de dourado grelhado, acompanhado de arroz, purê de jerimum (abóbora) gratinado e batatas fritas. Um pecado. Que cometi sem culpa.

Outra opção são os passeios de buggy pelas praias da redondeza. O meu buggeiro preferido, Samuel, me levou por várias praias, - praia da Bruna (Lombardi!), Antunes, Peroba, Burgalhau, etc. - que infelizmente não pude aproveitar direito por ter escolhido o pior horário para isso, às 15h00min. Mesmo assim, ele me levou ao Mirante, de onde tirei esta foto. Agora sei por que Maragogi é chamada de "Caribe Brasileiro". Saca só:


Como eu disse antes, Maragogi é uma cidade de contrastes. As pessoas lá vivem basicamente da Pesca, do Artesanato, do  fraco Comércio e do Turismo. Segundo Samuel, na baixa estação a cidade pára no tempo, parece uma cidade fantasma. Vi pescadores voltando da lida sem nada preso em suas redes. Vi pescadores tratando peixe em frente a um dos hotéis mais luxuosos da cidade. Vi uma cidade com ruas por asfaltar, crianças descalças, nuas, mulheres catando marisco na praia em frente aos Resorts. Vi as instalações de uma unidade do IFAL, já em funcionamento, porém, com a promessa de levar educação, emprego e renda para a região. Vi a esperança de um povo humilde, porém acolhedor, esbarrar na ambição de dois picaretas que tentavam se reeleger Governador do Estado (um deles, o Teotônio Vilela infelizmente conseguiu, embora o outro, Lessa, seja tão ruim quanto!).

Quatro dias depois, pego o caminho de volta, com a sensação de ter sido expulsa do Éden, literalmente. A saga do retorno via Real Alagoas me rendeu uma enxaqueca dos diabos no dia seguinte, como a ressaca de um vinho barato. A curta viagem porém me fez atentar para algo que pouco vinha fazendo: aprender com os erros do passado. Na volta à Maragogi no ano que vem, pretendo fazer tudo certinho, planejar melhor, garantir meu conforto e segurança na ida e na volta... isso é o que estava faltando na minha vida, até então. A reflexão, a serenidade, a maturidade, e a capacidade de rir dos meus próprios insucessos (desatei a rir sozinha quando, na volta, finalmente consegui sentar, já em Barreiros. De Maragogi até lá, fui em pé, vigiando a minha mala que tinha ficado ao lado do motorista). Não digo que o mês de outubro foi realmente transformador?

Mais?

Vamos deixar para o próximo post, né? Senão vocês enjoam.

Now listening: Eden, by 10000 Maniacs.

- By Melonella -


sábado, 18 de setembro de 2010

Post Musical

Como eu disse anteriormente, gosto de músicas que me digam algo, que tenham algum sentido. E esta que eu vou postar - de um dos melhores grupos de Rock Progressivo do mundo, os canadenses do Rush - é um exemplo claríssimo disto. Do álbum homônimo, o ótimo Roll The Bones. Enjoy it!



Roll The Bones

Well, you can stake that claim --

Good work is the key to good fortune
Winners take that praise
Losers seldom take that blame
If they don't take that game


And sometimes the winner takes nothing
We draw our own designs
But fortune has to make that frame


We go out in the world and take our chances
Fate is just the weight of circumstances
That's the way that lady luck dances
Roll the bones


Why are we here?
Because we're here
Roll the bones
Why does it happen?
Because it happens
Roll the bones


Faith is cold as ice --
Why are little ones born only to suffer
For the want of immunity
Or a bowl of rice?
Well, who would hold a price
On the heads of the innocent children
If there's some immortal power
To control the dice?


We come into the world and take our chances
Fate is just the weight of circumstances
That's the way that lady luck dances
Roll the bones


Jack -- relax.
Get busy with the facts.
No zodiacs or almanacs,
No maniacs in polyester slacks.
Just the facts.
Gonna kick some gluteus max.
It's a parallax -- you dig?
You move around
The small gets big. It's a rig.
It's action -- reaction --
Random interaction.


So who's afraid
Of a little abstraction?
Can't get no satisfaction
From the facts?
You better run, homeboy --
A fact's a fact
From Nome to Rome, boy.


What's the deal? Spin the wheel.
If the dice are hot -- take a shot.
Play your cards. Show us what you got --
What you're holding.
If the cards are cold,
Don't go folding.

Lady Luck is golden;
She favors the bold. That's cold.
Stop throwing stones --
The night has a thousand saxophones.
So get out there and rock,
And roll the bones.
Get busy!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Post Musical Diferente




Diferentemente dos últimos posts musicais, em que escolho letras que, de certa forma, refletem meu estado de espírito, ou merecem ser eternizadas para lembrar determinadas situações, hoje eu vou falar um pouco da minha relação com as melodias e com as bandas / cantores. Ao contrário do que possam pensar, meus digníssimos cinco seguidores, não, eu não toco nada! Acho que não consigo extrair um som decente e audível nem se bater dois gravetos numa lata de leite em pó, portanto, lamento desapontá-los, se esperavam que eu dissesse que toco harpa, cielo, balalaika, cítara ou algum outro instrumento musical exótico.

A minha relação com a música começou muito cedo. E já muito cedo eu demonstrava, sem modéstia alguma (e desde quando esta palavra fez parte do meu vocabulário?), um gosto mais apurado. Mamãe conta que, aos dois anos, eu me punha praticamente em transe ao ouvir Ebony and Ivory, com Paul McCartney e Stevie Wonder, e dançava ao som de Beat It, by Michael Jackson. Depois disto, confesso que passei por uma lavagem cerebral, quando seres menos evoluídos me levaram a bordo de uma nave espacial e eu passei a ouvir Xuxa.

Os anos se passaram, e comecei a refinar um pouco (muito) o paladar musical. Fiquei mais exigente. As letras passaram a ter sentido e a significar muito para mim, além da melodia. Eu passei a buscar, e até hoje isso é um parâmetro na hora de decidir virar fã ou não, uma identificação com algo, um detalhe peculiar, às vezes imperceptível a um ouvinte eventual, ou menos preocupado com estas questões. Assim, bandas como Depeche Mode, The Cranberries, Cocteau Twins, The Smiths, Tears For Fears, Rush, artistas como Loreena Mckennitt, Mike Oldfield, Dido, Suzanne Vega, passaram a povoar meus CD players. Aprendi história, geografia, inglês e filosofia, ouvindo estes monstros sagrados.  Exemplos? Em "Everything Counts", do excelente Construction Time Again, Martin Gore, meu marido imaginário, versa sobre o capitalismo selvagem e a gana da sociedade e dos poderosos em consumir e acumular para si cada vez mais riquezas, sob a pena da opressão dos mais fracos (ainda tão atual, não?). Ainda do Mode, no mesmo álbum, "Two Minute Warning" fala da iminência de uma guerra nuclear no auge da Guerra Fria, conflito político-ideológico encabeçado por Estados Unidos e União Soviética (qualquer semelhança com o perigo do enriquecimento de Urânio desenfreado no Irã é mera coincidência. Tudo para fins pacíficos. Sei...). Em Yeat's Grave, o Cranberries conta a história do maior poeta irlandês, William Butler Yeats, e cita estes versos no meio da música:

"Why should I blame her,
that she filled my days with misery or that she would of late
Have taught to ignorant men violent ways or
hurled the little streets upon the great
Had they but courage equal to desire?"

Poderia passar horas a fio, citando exemplos, letras, detalhando a magia dos acordes, a perfeição das notas, mas corro o risco de desmerecê-los com minha pieguice.

Todos eles têm um quê de depressão. Mas a vida, a própria vida, já não carrega uma carga depressiva no seu próprio desenrolar?

Now Listening: Girl Afraid, by The Smiths. "She said he never really looks at me..." At me too, girl. At me too.
 
P.S.: Post escrito numa madrugada insone, em Caruaru.
 
By Melonella.

domingo, 8 de agosto de 2010

Um P.S.

Meus três seguidores devem estar estranhando a minha produção de postagens nas últimas 24 horas. E não, definitivamente, não é o que vocês estão pensando. Um dos meus alter-egos, Clarice Lispector, usava seus dotes literários como forma de conquistar o seu amado, Lúcio Cardoso, que era... gay!

Podem acreditar, meus queridos. Qualquer semelhança, desta vez, é sim, mera coincidência.

Só as mães são felizes?

Se fosse há alguns anos atrás, eu teria motivos de sobra para cantar uma canção diferente para você, num dia como hoje, ou interpretar o quinto mandamento de Deus, como sendo apenas “honra à tua mãe”. Imaginei tantos desfechos mirabolantes à nossa história, e em nenhum deles você estava presente. Ou estava em posições humilhantes, degradantes, em que eu riria por último, mas não sei se necessariamente melhor, pois, apesar de ansiar por ela, não sentia, nem nunca senti a doçura na vingança arquitetada nos momentos de mais profunda dor e revolta. “Oh father, I have sin...”

Agora tudo isso parece tão distante... de mim, de você, de nós dois... não sei se por força das circunstâncias, mas, hoje, é difícil imaginar as ofensas dirigidas a você, mesmo em segredo.

Apelando a um dos clichês mais utilizados desde que o mundo é mundo, este dá tantas voltas... e numa delas, nós dois nos reencontramos. Confesso que, a princípio, houve resistência da minha parte, mas hoje me surpreendo sentindo saudades suas, daqueles nossos reencontros em tardes de domingo, assistindo TV, e conversando sobre as banalidades da vida.

“Oh! Metade de mim, metade afastada de mim...” Hoje eu compreendo... e este carma nós dois não carregaremos mais.

Se eu nunca vier a dizer, se eu nunca te disser, saiba que o amor sempre residiu em mim. Com a mesma certeza da sua reciprocidade.

Feliz dia dos pais.

sábado, 7 de agosto de 2010

"... somos feitos de silêncio e sons..."

Os antigos tinham uns costumes engraçados! Principalmente relacionados à gestação e ao nascimento de uma criança. Por exemplo: um costume árabe prega proteger os bebês contra maus-olhados prendendo contas azuis em suas roupas. Outro costume muito seguido é calçar sapatinhos vermelhos nas meninas após sete dias de seu nascimento – minha afilhada, Beatriz, foi uma das inúmeras e incontáveis crianças que usaram um daqueles charmosos sapatinhos de lã vermelha!

Eu mesma, quando bebê, fui coadjuvante de um destes costumes. Minha mãe juntou água da primeira chuva de janeiro, coou e me deu para beber, para que eu falasse logo. Daí vem o ditado popular “tomou água de janeiro”, para definir aquelas pessoas que falam pelos cotovelos. E eu realmente, falei logo. Falei e continuo falando, com a minha tagarelice tão peculiar, que, reconheço, às vezes irrita os meus interlocutores, pois transformo as nossas conversas num monólogo. Encenado por mim, claro.

Tagarelar. Nasci sob o signo de Gêmeos, o relações-públicas do Zodíaco. Regido por Mercúrio – na Mitologia Romana, Hermes, o mensageiro dos deuses, o responsável pela educação dos Gêmeos Castor e Pólux, filhos de Leda, Zeus e Tíndaro. Daí o meu gosto por falar, estar em contato constante com as pessoas, com o mundo. Contar as minhas piadas, dividir o pouco conhecimento que venho acumulando em quase oito anos de profissão, ou falar sobre o show do Cranberries aqui em Recife no próximo dia 22 de outubro! Quando eu estou falando, é uma maneira de perpetuar a alegria, os momentos felizes, desfrutados ao lado dos meus amigos, da minha família, de pessoas queridas.



Em contrapartida, quando me calo, é o reverso da moeda. Se estou calada, estou triste, magoada. É uma forma de fazer com que o sentimento vá minguando dentro de mim, até desaparecer. É doloroso, e a dor se torna ainda mais pungente quando no processo estão envolvidas pessoas que gozam do meu apreço. É aí que mergulho no silêncio, como se mergulhasse os meus ferimentos numa piscina de mercúrio cromo, ou de Merthiolate® (sem arder!). Tem um processo de cura, de renascimento, aí. Como a Fênix, o pássaro mitológico que renasce das próprias cinzas. E eu não costumo negligenciar esses períodos. São extremamente ricos, cheios de aprendizado. Aprendo mais sobre mim, sobre as pessoas, sobre suas nuances e como se relacionam. E percebo, exatamente, onde estou inserida em todo esse contexto, e que importância eu tenho (ou não), na vida destas pessoas. Às vezes, dói ainda mais. Na maioria das vezes, a dor se transforma em júbilo, após a tempestade.

Jorge Vercilo canta em Devaneios, que o ”silêncio fala mais que a traição”. Prefiro concordar com Confúcio, filósofo chinês, que diz que “o silêncio é um amigo que jamais atraiçoa”.



“Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora...”



Now listening: Pra Rua Me Levar, by Ana Carolina. Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir...