terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Fábula do Jabuti na Árvore

Naquela floresta, como em todas as florestas dos contos, reinava o leão. Como rei, não era de ficar zanzando pela floresta. Afinal, uma realeza que se preze, tem de manter uma certa distância dos súditos e da plebe. Raramente, sua alteza, o Leôncio, fazia uma aparição na praça principal, onde havia uma grande árvore – a mais frondosa e imponente de todo o reino.

A vida corria dentro da normalidade. Certo dia, dona arara, repórter local, chegou ao seu escritório, em um galho privilegiado (de onde podia saber tudo a respeito da vida de todos) da árvore central. Começava a preparar a pauta do dia, quando notou algo diferente no galho vizinho: muito bem estabelecido, de mala e cuia, estava ali um jabuti.



Após a edição daquele dia do jornal das oito, a curiosidade e a apreensão com o novo habitante do reino começou a tomar conta de todos. Alguns, curiosos por saber o que ele estava fazendo ali; outros, indignados porque ali não era lugar para um jaboti passar o tempo inteiro sem fazer nada.

Aos poucos, a sociedade foi se acostumando com a presença enigmática do cascudo:
  • O urubu, com as piores intenções possíveis, começou a frequentar o galho para ficar horas e horas de papo com o jabuti.
  • A arara, por sua vez, acabou gostando do vizinho. Na falta de pauta para o jornal, tinha sempre um assunto.
  • As cobras começaram a nutrir inveja silenciosa. Um dia, aquele lugar na árvore havia de ser seu.
  • Formigas continuaram a carregar suas folhinhas para lá e para cá, sem tempo para ficar especulando.
  • Os macacos, quando não tinham nada para fazer, passavam na árvore, para tomar um café e bater um papo.
  • O hipopótamo olhava para cima, pensava um pouco e lembrava-se que o galho da árvore não era coisa para ele.
  • A dona coruja… essa só observava mesmo, com a atenção e a discrição que todo mundo conhecia.
Quem não se acostumou, foi o cão. Com a seu instinto canino, achava que aquele animal fora de lugar, sem função alguma, desequilibrava o ecossistema. Bicho errado no lugar errado, sem nada para fazer, é um perigo. Cedo ou tarde, dá confusão.

Começou, então, a sua cruzada particular: latia insistentemente, pulava balançava a árvore, a fim de desestabilizar o invasor. Em tentativas desesperadas, tentou até alianças com urubus e macacos – sem sucesso. Nada abalava o jabuti.

De repente, apareceu o rei Leôncio. Perguntou ao cão o motivo daquela algazarra. O cão começou a expor seus motivos, mas não chegou a terminar. Foi abrupta e violentamente interrompido pela pata pesada e afiada do rei. Em seguida, a revelação aterradora e uma sentença:

“Chega! Quem colocou o jabuti na árvore fui eu – e tenho meus motivos. Quanto a você, inconveniente, não há mais lugar para você nessa floresta. Vá embora e não volte nunca mais!”.

Manco de uma perna, o cão saiu com o rabo entre as pernas, sob os olhares apreensivos e curiosos de todos. Nunca mais pôde voltar. Quanto ao jabuti… por que você quer saber? É melhor não incomodá-lo – não faz bem para a saúde.

Daquele dia em diante, todos aprenderam a lição: Jabutis não sobem em árvores. Se ele está lá, não mexa com ele. Alguém com esse poder o colocou lá.

Extraído do blog "A Hora do Recreio", de Berenice.


Now listening: Heaven Knows I'm Miserable Now, by The Smiths.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Post Musical - Plantão da Globo


Pra bom entendedor...
"Things are changing
But nothing changes
And still there are changes
Le roi est mort, vive le roi!..."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Simplicidade, pense nisso - por Luan Veiga

"Nos idos tempos da guerra fria, astronautas americanos e cosmonautas soviéticos disputavam a conquista do espaço, e se depararam com o problema de como se escrever sob gravidade zero. A tinta no tubo das canetas simplesmente não descia devido à ausência da gravidade.

Os americanos investiram pesado na resolução do problema: 13 milhões de dólares foram aplicados em uma década de pesquisa da NASA, em uma caneta que se prestasse ao dever maior de humilhar os Soviéticos na conquista do espaço. Outros centros de pesquisa se engajaram na questão de honra à pátria, até que criaram uma sofisticada esferográfica com um sistema de autobombeamento termofluido trifásico, que escrevia não só sob gravidade zero, mas em qualquer condição e superfície, e até de cabeça para baixo.

Os russos usaram um lápis."


Now listening: It comes and it goes, by Dido.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mais um Post Musical

Espero que, assim como o rio só corre pro mar, possamos correr de encontro ao nosso destino, contornando os diversos obstáculos, até alcançar a plenitude.

Sim, meus queridos seis leitores, estou MUITO otimista hoje!

Find The River
R.E.M

Hey now, little speedyhead,
the read on the speedmeter says
you have to go to task in the city
where people drown and people serve.
Don't be shy. Your just deserve
is only just light years to go.

Me, my thoughts are flower strewn
ocean storm, bayberry moon.
I have got to leave to find my way.
Watch the road and memorize
this life that pass before my eyes.
Nothing is going my way.
 
The ocean is the river's goal,
a need to leave the water knows
We're closer now than light years to go.
 
I have got to find the river,
bergamot and vetiver
run through my head and fall away.
Leave the road and memorize
this life that pass before my eyes.
Nothing is going my way.
 
There's no one left to take the lead,
but I tell you and you can see
we're closer now than light years to go.
Pick up here and chase the ride.
The river empties to the tide.
Fall into the ocean.
The river to the ocean goes,
a fortune for the undertow.
None of this is going my way.
 
There is nothing left to throw
of Ginger, lemon, indigo,
coriander stem and rose of hay.
Strength and courage overrides
the privileged and weary eyes
of river poet search naivete.
Pick up here and chase the ride.
The river empties to the tide.
All of this is coming your way.

- By Melonella -

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um P.S.

Ontem, quando cheguei ao Agreste, fui recebida com um verdadeiro dilúvio. Chovia a potes, não víamos um palmo a nossa frente quando dirigíamos de Surubim até Caruaru.

Hoje o sol voltou a aparecer.

Nenhum lugar no mundo consegue refletir tão bem o meu estado de espírito.


Now listening: I Wish Would Rain Down, by Phil Collins.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Agreste

Sempre quis escrever algo sobre a região que para mim é muito mais do que um local de trabalho. É o meu refúgio particular. É onde meus olhos se perdem pela paisagem por vezes árida, por vezes fértil. "This used to be my playground", já cantava a Madonna.

Primeiro vamos à aula de Geografia...
Segundo o Wikipédia, a mesorregião do Agreste Pernambucano é uma das cinco mesorregiões do estado brasileiro de Pernambuco, estendendo-se por uma área aproximada de 24400 km², inserida entre a Zona da Mata e o Sertão. Representa 24,7% do território pernambucano e conta com uma população de cerca de 1,8 milhões de habitantes (25% da população do Estado). O clima é predominantemente semi-árido, embora apresente áreas mais úmidas.

Igualzinho a mim. Os dias são ensolarados na maior parte do tempo, mas quando desaba a tempestade...

Esta foto foi tirada por Anderson Carvalho. Traz um belíssimo por-do-sol e as torres de telefonia sobre o Morro do Bom Jesus, em Caruaru.
Now listening: "This Used To Be My Playground" by Madonna.